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A reserva da Strive chegou a 43 mil bitcoins e vale US$ 323 milhões menos do que custou

Os 6.182 bitcoins que a Strive comprou entre 17 e 23 de outubro saíram a uma média de US$ 82.732 por moeda, com as taxas incluídas, acima da cotação de fechamento em três dos cinco dias úteis da janela. O desembolso foi de US$ 511,4 milhões, no maior lote semanal desde que a companhia adotou o bitcoin como ativo de tesouraria. A reserva chegou a 43 mil moedas, 16,8% mais do que na sexta-feira anterior.

O número está no 8-K que a empresa protocolou na SEC nesta segunda-feira, e o documento leva a assinatura de Matthew Cole. O recorde anterior era de 4.045 moedas, na semana de 12 a 16 de outubro. O lote desta semana é 53% maior.

Cada ação passou a responder por mais bitcoin

A conta que mede o sucesso dessa estratégia é a quantidade de bitcoin por ação. Em 16 de outubro, cada ação efetiva respondia por 0,000297 moeda. Em 23, por 0,000338. A alta de 13,8% em sete dias contrasta com a semana até 16 de outubro, quando a reserva cresceu 12,3% e a base acionária subiu 12,4%, e a proporção ficou exatamente onde estava.

A diferença está em quem pagou a conta. As ações efetivas em circulação passaram de 124,06 milhões para 127,33 milhões, alta de 2,6%, e a compra foi financiada principalmente pela venda de preferenciais, que não entram nesse cálculo. A preferencial recebe dividendo antes do acionista comum e tem prioridade sobre o que sobrar de uma liquidação.

O caixa cresceu na mesma semana

Na semana em que gastou US$ 511 milhões, a Strive terminou com mais dinheiro em caixa do que começou. O saldo passou de US$ 317,5 milhões para US$ 504,4 milhões. A companhia também carrega 505 mil ações da preferencial STRC, da Strategy, avaliadas em US$ 50,2 milhões. Com elas, o bloco de liquidez chega a US$ 554,6 milhões, US$ 187,7 milhões acima do registrado em 16 de outubro.

A peça nova desse balanço é a SATS, a preferencial de 15% ao ano que a companhia colocou no mercado neste mês. Ela aparece com 7 milhões de ações em 23 de outubro, contra zero uma semana antes. A série foi criada com autorização para 17 milhões de ações, então ainda há 10 milhões de papéis por emitir.

Nesta segunda-feira a Strive montou o mecanismo para vendê-los. Um acordo de venda a mercado com sete bancos, entre eles Cantor Fitzgerald, Barclays, Clear Street, StoneX e B. Riley, permite ofertar até US$ 1 bilhão em ações da SATS ao longo do tempo, com comissão de até 2% sobre o que for colocado. O prospecto diz que o dinheiro pode ir para bitcoin, capital de giro ou recompra de papéis da própria empresa.

O custo acompanha o tamanho. O dividendo da SATS é de 15% ao ano sobre os US$ 100 de valor declarado de cada ação, pago apenas em dinheiro. As 7 milhões já emitidas consomem US$ 105 milhões por ano. Se o programa de US$ 1 bilhão for vendido inteiro, a conta anual passa de US$ 255 milhões, e o bitcoin não paga nada a quem o guarda. O primeiro pagamento sai em 9 de novembro, de US$ 0,8710 por ação, para quem estiver com o papel em 6 de novembro.

A reserva continua abaixo do que custou

O levantamento do BitcoinTreasuries, que acompanha as tesourarias de capital aberto, atribui às 43 mil moedas um custo total de US$ 3,78 bilhões, ou US$ 87.850 por unidade. Com o bitcoin a US$ 80,4 mil nesta segunda-feira, a mesma reserva vale US$ 3,46 bilhões. São US$ 323 milhões abaixo do que custou, uma diferença de 8,5%. O lote da semana, sozinho, já nasceu negativo em US$ 14,4 milhões, e o bitcoin fechou a sexta-feira a US$ 81,2 mil.

A comparação com a Strategy mostra o peso do preço de entrada. As 848.517 moedas da maior tesouraria aberta custaram US$ 75.446 cada e valem US$ 4,2 bilhões mais que isso. A Strive pagou US$ 12,4 mil a mais por moeda, e a média dela está US$ 7,4 mil acima da cotação de hoje.

O preço do dinheiro entra na mesma conta. No prospecto, a companhia diz que ganha na diferença entre o que paga para captar e o retorno que espera do bitcoin no longo prazo. Com o cupom a 15% ao ano, a moeda precisa render mais do que isso a partir do preço em que foi comprada. A reserva foi montada a US$ 87.850.

A 514 moedas do terceiro lugar

O lote desta semana deixou a Strive a 514 moedas do terceiro lugar entre as tesourarias abertas. Na relação do BitcoinTreasuries, a Twenty One Capital aparece com 43.514 bitcoins, a Metaplanet com 44 mil, a Strategy com 848.517 e a Strive com 43 mil, ou 0,216% do bitcoin já minerado.

A Strategy não comprou nem vendeu bitcoin entre 19 e 25 de outubro, segundo o formulário que protocolou nesta segunda-feira. No período, usou US$ 204,9 milhões para recomprar 2,07 milhões de ações da própria preferencial STRC e manteve a reserva em 848.517 moedas.

Perto das 14h50 desta segunda-feira, a ação da Strive caía 5,87%, a US$ 27,27. O mercado paga 1,03 vez o valor da reserva pelo papel, contra 1,10 pela ação da Strategy. A Metaplanet negocia a 0,73 e a Twenty One a 0,66. Abaixo de 1, cada papel novo entregue ao mercado compra menos moeda do que o dinheiro que entrou, e a fatia de cada ação cai. A Strive ainda está do lado que permite crescer.

A reserva de 43 mil moedas precisa subir 9,3% para empatar com o preço médio pago por ela. As 514 que separam a Strive do terceiro lugar custam US$ 41,3 milhões na cotação de hoje.

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