O número de milionários de cripto é 135,7 mil, com margem que vai de 132 mil a 154 mil
A Henley & Partners conta 135.694 pessoas no mundo com pelo menos US$ 1 milhão em ativos digitais, das quais 92.272 têm a fortuna em bitcoin. Os números estão no relatório de riqueza em cripto que a consultoria divulgou em 8 de setembro, e usam os preços de 31 de agosto.
O tamanho da fortuna depende do preço do dia. Na data usada pelo relatório, o bitcoin valia US$ 78.008, e era preciso ter 12,82 moedas para entrar na lista. Com a cotação desta segunda-feira, perto de US$ 80,4 mil, a mesma marca cai para 12,44 moedas.
A conta começa em endereços de bitcoin
O levantamento parte do registro público. Em 31 de agosto, 123.222 endereços de bitcoin guardavam pelo menos US$ 1 milhão. Endereço não é gente, e o relatório faz quatro ajustes. Tira os que pertencem a corretoras e fundos, que guardam moeda de milhões de clientes, desconta a parte estimada em bitcoin perdido, que chega a um quinto do total, junta os vários endereços de um mesmo dono e soma quem só tem bitcoin por meio de fundo negociado em bolsa.
O resultado do meio do caminho é 61.272 pessoas com bitcoin direto na carteira. Com os cotistas de fundos, chega a 92.272, com faixa declarada de 74 mil a 114 mil. É a maior incerteza do relatório, e ela vem do trecho mais frágil da conta, a passagem de endereços para indivíduos.
O total de milionários em cripto sai de uma divisão. Tirando as stablecoins, o bitcoin fica com 68% de tudo que a cripto vale, e o relatório supõe que quem tem US$ 1 milhão guarda bitcoin na mesma proporção do mercado. Daí 92.272 dividido por 0,68, que dá 135.694, com faixa de 132 mil a 154 mil.
Quanto maior a fortuna, menos bitcoin
A participação do bitcoin cai conforme a fortuna sobe. Entre os milionários, 68% têm a maior parte em bitcoin. Entre os 290 centi-milionários, os que passam de US$ 100 milhões, são 151, ou 52%. Entre os 23 bilionários de cripto, 9 têm a fortuna em bitcoin, 39% do grupo.
O documento não traz uma explicação para esse desenho. A leitura que o número sustenta é a de que o patrimônio grande se diversifica depois de formado, quando o ganho já existe e concentrar tudo em um ativo deixa de ser a aposta que produziu aquele dinheiro.
O mercado que sustenta essas fortunas vale US$ 2,6 trilhões, e o bitcoin responde por US$ 1,6 trilhão. Sem as stablecoins, que somam cerca de US$ 0,31 trilhão, sobram US$ 2,3 trilhões, e é sobre essa base que saem os 68% usados na conta.
Por que o relatório não compara com 2025
A edição do ano passado contou 241.700 milionários de cripto, alta de 40% em doze meses, com 145.100 milionários de bitcoin. Colocar os dois números lado a lado dá uma queda de 43,9% em um ano, e de 36,4% entre os milionários de bitcoin.
A própria Henley diz que essa comparação não vale. A edição de 2026 usa metodologia nova, e o relatório avisa que as diferenças entre os dois anos misturam dois efeitos, o movimento do mercado e a troca do método, que não podem ser separados. Por isso não publica variação anual para nenhuma das suas medidas.
O que sobra de verificável é o preço. O recuo desde o pico de outubro de 2025 era de 38% na data do relatório. Medido no fechamento desta segunda-feira, o recuo é de 36,4% desde a máxima de US$ 126.200, atingida em 6 de outubro do ano passado. O relatório classifica esta queda como a mais branda entre as grandes do bitcoin, porque as que vieram depois dos picos de 2011, 2013, 2017 e 2021 cortaram mais de 75% do preço.
A base de detentores tem outra escala
A base de quem tem alguma cripto é muito maior que a lista dos milionários. São 742 milhões de pessoas, das quais 371 milhões com bitcoin. Os 135.694 milionários equivalem a 0,02% desse total.
Quem tem 12,44 bitcoins na cotação desta segunda-feira está exatamente na linha de US$ 1 milhão, e essa linha sobe e desce com o preço sem que ninguém compre ou venda nada. Entre os milionários de bitcoin, a faixa publicada pelo relatório começa em 74 mil e termina em 114 mil, uma distância de 40 mil pessoas que o próprio documento não consegue fechar.
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