Trezor passa a aceitar senha extra de 128 caracteres, e o esquecimento segue sem conserto
A Trezor passou o limite da senha extra de 50 caracteres para 128 no Model T e na Safe 3, além das Safe 5 e Safe 7, e o recurso só funciona depois de atualizar o firmware do aparelho. O anúncio saiu no domingo, 1º de novembro, dentro da atualização de outubro do Trezor Suite. Aparelho sem o firmware novo continua preso aos 50 caracteres, e o Model One fica de fora do aumento.
A senha extra, que a empresa chama de passphrase, se soma à frase de recuperação e abre uma carteira separada, com endereços e saldo próprios. Sem ela, aquela carteira não abre, e a Trezor avisa que o suporte não tem como recuperá-la. Não existe cópia guardada no aparelho nem no aplicativo, e o guia da empresa orienta a anotar a senha em papel antes de transferir qualquer valor.
O gatilho veio do caso da Coldcard
O motivo que a Trezor deu para a mudança está em julho. Parte dos aparelhos Coldcard gerou backups com aleatoriedade bem menor que a esperada por causa do firmware, e os invasores refizeram essas cópias fora da rede. Quem tinha uma senha extra forte e única escapou do primeiro lote de saques, porque o criminoso precisava do backup fraco junto com a senha. O tempo extra serviu para migrar os fundos antes de a carteira ser varrida, segundo o relato da fabricante.
Clientes passaram a perguntar se daria para criar uma senha maior, e a resposta saiu agora. Para quem usa uma sequência aleatória, o espaço novo muda pouco, porque 50 caracteres já estão fora do alcance de qualquer tentativa de adivinhação em massa. O ganho interessa a quem prefere decorar uma frase inteira.
A senha que abre a carteira errada
Aí começam as restrições. O recurso aceita apenas o conjunto ASCII de caracteres, diferencia maiúsculas de minúsculas e conta o espaço como um caractere, então palavra acentuada não entra. A Trezor recomenda escolher com aleatoriedade real, porque quem tem o backup pode tentar adivinhar uma senha fraca.
Errar a senha também não gera aviso de erro. O aparelho abre outra carteira, vazia, e o aplicativo não distingue uma senha errada de uma senha certa que por acaso não tenha saldo. Por isso a orientação é testar a recuperação antes de depositar, o que quer dizer reabrir a carteira e conferir o primeiro endereço de recebimento. A senha longa também aumenta o número de teclas a conferir, uma a uma, na tela do aparelho, e o guia pede que a digitação aconteça na própria carteira, nunca no computador.
Na sexta-feira, 30 de outubro, a Trezor publicou um aviso de outra natureza. Um cliente que comprou uma Safe 5 em agosto, pela Tokopedia, a um revendedor que a Trezor credenciava no sudeste asiático, relatou um implante no aparelho capaz de ler a tela e transmitir os dados por rede de celular. A empresa ainda não recebeu o aparelho para exame e informou não ter registro de prejuízo entre compradores do revendedor.
Quem comprou do CryptoBilis desde março deve criar uma carteira nova, com frase de recuperação nova. A seed que nasceu no aparelho adulterado continua comprometida, mesmo restaurada em um modelo novo. Para quem comprou no período, a empresa oferece um aparelho novo, enviado por ela, ou um crédito de mesmo valor.
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