Mercado Crypto

Strategy compra 811 bitcoins acima do preço que o mercado paga hoje

A Strategy pagou US$ 80.846 por cada um dos 811 bitcoins que comprou entre 26 de outubro e 1º de novembro, com as taxas incluídas. Por volta das 11h desta segunda-feira, o bitcoin era negociado a US$ 77,9 mil, e o lote informado no formulário enviado à Securities and Exchange Commission vale, a esse preço, US$ 2,4 milhões menos do que a empresa desembolsou. Com a compra de US$ 65,5 milhões, a custódia chegou a 849.327 bitcoins, o maior volume entre empresas no mundo.

Na semana anterior, não houve aquisição, a primeira pausa desde o começo de setembro. A empresa usou US$ 208,2 milhões para recomprar 2.092.035 ações da preferencial STRC. O ritmo de compra segue baixo. Nas cinco semanas com aquisição desde 28 de setembro, a Strategy somou 3.327 moedas a uma média de US$ 84.334. Cada uma dessas compras semanais saiu acima da cotação desta segunda-feira. Esse conjunto vale hoje US$ 21 milhões menos do que foi pago, queda de 7,6%.

A reserva inteira continua no azul

O preço médio de toda a custódia é de US$ 75.451 por moeda, para um custo acumulado de US$ 64,08 bilhões. Com o bitcoin a US$ 77,9 mil, a posição vale US$ 66,2 bilhões, pouco mais de US$ 2,1 bilhões acima do desembolso, ou 3,3%. Em 23 de outubro, a mesma margem era de US$ 4,9 bilhões. A reserva equivale a cerca de 4% dos 21 milhões de bitcoins que vão existir.

O dinheiro da compra saiu da venda de 1.178.552 ações ordinárias, que renderam US$ 164 milhões líquidos. Desses, US$ 65,5 milhões foram para o bitcoin e US$ 98,5 milhões ficaram em caixa.

O lucro do trimestre veio de uma alta que já recuou

Na quinta-feira, a Strategy divulgou lucro líquido de US$ 19,53 bilhões no terceiro trimestre, contra US$ 2,79 bilhões um ano antes, e lucro por ação de US$ 44,75. A receita do negócio de software caiu 3%, para US$ 125,4 milhões. Quase todo o resultado saiu de um item só, o ganho de US$ 20,91 bilhões com a valorização das moedas que a empresa mantém.

Nada disso passou pelo caixa. Esse ganho é contábil e acompanha a cotação, que subiu no trimestre e caiu depois. O bitcoin encerrou junho a US$ 58,6 mil e setembro a US$ 83,6 mil. Em 23 de outubro, com o preço a US$ 81,2 mil, a empresa calculava a reserva em US$ 68,9 bilhões. Nesta segunda, com 849.327 moedas e a cotação desta manhã, a mesma conta chega a US$ 66,2 bilhões. São US$ 2,7 bilhões a menos em dez dias.

O dividendo das preferenciais é pago em dinheiro

Manter a estrutura custa dinheiro em espécie. Entre julho e setembro, a empresa pagou US$ 419,6 milhões em dividendos das ações preferenciais. Desde janeiro, vendeu US$ 431,8 milhões em bitcoin para financiar parte desses pagamentos e as recompras da série STRC, que somaram US$ 2,04 bilhões no trimestre.

A STRC fechou a sexta-feira a US$ 99,13, 0,9% abaixo do valor de face de US$ 100. Para sustentar esse preço, a empresa manteve o dividendo em 12% ao ano e, desde 1º de novembro, credita o pagamento todos os dias, inclusive fins de semana e feriados. A reserva em dólar, que cobre esses compromissos, estava em US$ 4,79 bilhões, o equivalente a 3,4 anos de dividendos e juros.

Andrew Kang, que no comunicado do balanço chamou o lucro operacional do trimestre de o maior da história da empresa, deixa o cargo em 5 de novembro, três dias depois da compra anunciada nesta segunda. Ele ocupava a posição havia quatro anos e meio.

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