12,8 mil AAVE ficaram com o invasor do Mercado Bitcoin e uma baleia levou 184 mil para corretoras
Na madrugada de segunda-feira, o Mercado Bitcoin identificou uma invasão e tirou a plataforma do ar. O AAVE, token do protocolo de empréstimos Aave, fechou o dia em US$ 126,56, 6% abaixo da abertura. A invasão não teve o protocolo como alvo. Os tokens que ela deixou na mão do invasor entram, ainda assim, na conta do preço.
Entre o que o invasor manteve depois de esvaziar as carteiras quentes da corretora estão 12.820 AAVE, avaliados em US$ 1,61 milhão. O levantamento da Lookonchain, que rastreia carteiras, lista sete ativos com ele. O maior é o PEPE, com 372,99 bilhões de tokens, avaliados em US$ 1,79 milhão. Em segundo vem o AAVE, seguido pelo PENDLE, de 769.950 tokens. Fecham a lista quatro ativos, cada um avaliado entre US$ 1,03 milhão e US$ 1,26 milhão. Somados, os sete passam de US$ 9,2 milhões.
O que a corretora já travou e o que segue solto
Os números da própria exchange fecham com os do rastreador. Às 21h de segunda-feira, o Mercado Bitcoin informou que cerca de US$ 11 milhões estavam bloqueados com apoio de Tether, Circle, BRL1, Paxos e Chainalysis, e que outros US$ 38 milhões seguiam sem bloqueio. A soma chega perto dos US$ 49 milhões que a Chainalysis calcula terem saído das carteiras quentes, em 17 redes. As carteiras frias não foram atingidas, e a corretora afirma que nenhum cliente vai perder ativos. A última atualização da corretora saiu na noite de segunda-feira, sem prazo para a volta dos saques e depósitos.
O registro público mostra a posse dos tokens. A venda não aparece em nenhuma transação conhecida até agora, e o endereço que recebeu os 12.820 AAVE está identificado no rastreador. Guardar e vender são coisas diferentes, e só a segunda mexe no preço.
A carteira que depositou US$ 51,4 milhões em dez dias
A pressão maior não vem do invasor. Uma única carteira depositou 184.203 AAVE, US$ 25,5 milhões, em corretoras nos últimos dez dias, na contagem da mesma plataforma de rastreamento. O mesmo endereço mandou 56,15 milhões de WLD, US$ 25,85 milhões. Somados, os dois lotes dão US$ 51,4 milhões. Os 184.203 AAVE equivalem a 1,19% dos 15,44 milhões de tokens em circulação e a pouco mais de 10% do volume que o ativo girou nas últimas 24 horas, de US$ 235 milhões.
Depositar em corretora é o passo que antecede a venda, e é o que o rastreador mede. O preço do AAVE caiu cerca de 28% em 30 dias, contra 10,5% do bitcoin no mesmo período. A diferença de quase 2,7 vezes indica que a queda do token tem componente próprio além do mercado fraco.
Por volta das 10h10 desta terça, o token era negociado a US$ 128,44, alta de 1,5% sobre o fechamento de segunda, depois de tocar US$ 123,90 na mínima da manhã. Está 80% abaixo do recorde de US$ 661,69, de maio de 2021.
O desconto que a Aave montou para o tomador
Do outro lado da oferta, a Aave trabalha para baratear o crédito. No mercado de ações tokenizadas que mantém na rede Base, quem deposita uma das sete ações da Coinbase como garantia toma USDC emprestado a 1,99% ao ano. O número já desconta o subsídio, que devolve 1,62% a quem toma. Quem empresta USDC no mesmo mercado recebe 5,64%, sendo 3% em recompensa. O tomador paga menos do que o aplicador recebe, e a diferença sai do orçamento de incentivos.
Esse mercado tem US$ 18,4 milhões depositados e US$ 5,28 milhões em empréstimos ativos. A maior posição é em GOOGLc, com US$ 4 milhões, seguida por NVDAc, com US$ 2,99 milhões. O orçamento que sustenta o desconto soma US$ 233,90 por dia, dividido em duas campanhas ativas, uma com 7 horas e outra com 2 dias de prazo.
Empréstimo em USDC vira stablecoin na mão do tomador, e a ação usada como garantia fica parada no protocolo. Todo o mercado que a Aave montou para atrair esse tomador movimenta US$ 5,28 milhões, um quinto dos US$ 25,5 milhões que uma única carteira depositou em corretoras em dez dias. Nenhum dólar do subsídio chega ao livro de ofertas do AAVE.
A recompra parada desde abril
A máquina que comprava o token está desligada desde 19 de abril. O protocolo suspendeu as recompras depois do incidente com o rsETH e formalizou a parada em um pedido de comentários da governança, sem data de retorno. De lá para cá, a recompra segue parada, com o limite de 20 mil tokens e US$ 2 milhões em stablecoins aprovado na tesouraria.
Em outubro, o fundador Stani Kulechov apresentou uma nova versão do programa, com recompra, staking e queima de tokens. No fórum da governança, o que existe é uma discussão aberta em 23 de outubro sobre se o staking deve entrar no desenho, com 210 visualizações e nenhuma resposta. Não há proposta de reativação em votação.
Com US$ 233,90 por dia, o orçamento que a Aave usa para baratear o empréstimo levaria 298 anos para somar os US$ 25,5 milhões que a baleia depositou em dez dias. A recompra do protocolo, que fazia essa compra de forma programada, está desligada desde abril, e a versão que vai substituí-la depende de uma votação que ainda não foi marcada.
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