Nubank e Mercado Pago travam saques de cripto e o fornecedor segue sem nome
O Nubank suspendeu nesta sexta-feira, 6, os depósitos e os saques de criptomoedas pelo aplicativo, e o Mercado Pago bloqueou parte das transferências para carteiras externas. As duas empresas atribuíram a parada a um problema em um fornecedor externo, e nenhuma das duas disse qual. Também não havia prazo para o serviço voltar até o começo da noite desta sexta-feira.
O aplicativo informa que o serviço está fora do ar por causa de um problema em um fornecedor externo de dados, que a falha não está na estrutura do próprio banco e que a segurança dos clientes segue intacta. Já o Mercado Pago foi mais específico. Segundo a nota da empresa, o incidente envolveu um fornecedor de monitoramento de risco e de prevenção à lavagem de dinheiro, e parte dos envios para carteiras externas foi bloqueada de forma preventiva. A empresa afirmou que compra e venda seguem normais e que depósitos pendentes serão creditados quando o serviço voltar.
A etapa que travou
O aviso do Nubank alcança depósitos e saques, e o efeito prático é que o cliente não consegue levar as moedas para uma carteira própria nem para outra corretora. No Mercado Pago, o bloqueio ficou restrito às transferências para fora, com compra e venda mantidas. O que parou não foi o registro das moedas nem a rede. Parou a etapa que autoriza a saída, aquela em que a empresa confere origem, destino e sinais de risco antes de liberar a operação.
No Mercado Pago, essa checagem é feita por um fornecedor externo, como a nota da empresa indica. No Nubank, o comunicado fala em fornecedor externo de dados, sem detalhar a função.
A operação de cripto do banco digital também não é feita só por ele. O serviço é da NuCrypto, empresa do grupo, que depende de parceiros para custódia, liquidez e transferência das moedas. Entre os fornecedores conhecidos estão a Fireblocks, contratada desde julho de 2023 e citada no formulário anual de 2025 enviado pelo banco à SEC em abril, a Paxos, que participou da estrutura montada em 2022, e a Chainalysis, responsável pela análise das transações. A Fireblocks negou que o problema tenha partido dela e afirmou que a infraestrutura segue operando normalmente.
A base exposta é grande. O Nubank Cripto passou de 6,6 milhões de usuários, número que o banco divulgou em 2025. Para esse cliente, a parada tem um efeito específico, porque o saldo continua no aplicativo e o botão de saque fica desligado.
O contrato já cobria esse tipo de parada
Os termos da NuCrypto, em vigor desde 8 de outubro, listam entre as causas de suspensão ou atraso a indisponibilidade ou a manutenção dos sistemas da própria empresa ou de seus prestadores, além de falhas técnicas e do inadimplemento de um provedor de liquidez. Quem aderiu ao serviço aceitou esse risco, e a parada desta sexta-feira se encaixa nele.
O que ficou fora dos comunicados é o que o cliente quer saber. Não houve confirmação de ataque, e as empresas não informaram perdas. Também não disseram o nome do fornecedor nem quando o serviço volta. Nas redes sociais, a versão de invasão circulou durante a tarde sem documento por trás. Até o começo da noite, quem tem moeda no aplicativo seguia sem poder transferir o saldo, sem saber qual empresa, fora do banco, deixou de responder.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.