Schiff diz que a eleição foi o gatilho final do bitcoin, e o preço está no nível que ele marcou em outubro
Peter Schiff escolheu a eleição americana para datar o fim da bolha do bitcoin. Na quinta-feira, dois dias depois de os democratas virarem as duas casas do Congresso, ele escreveu que todo mundo está olhando para a bolha da inteligência artificial enquanto ninguém fala da bolha do bitcoin. O post ficou parado por dois dias e voltou a circular na manhã deste sábado, na conta da CoinMarketCap, com o aviso de que o assunto era da semana. Perto das 9h, o bitcoin valia US$ 75,9 mil, 21,6% abaixo da máxima do ano, de US$ 96,9 mil, registrada em 15 de janeiro.
O argumento dele é curto. Schiff escreveu que a inteligência artificial tem valor real e o bitcoin não tem valor nenhum, e que essa é a diferença entre as duas bolhas. Chamou a eleição de meio de mandato de "último prego" e recomendou que os investidores vendessem antes da queda que ele prevê.
Em um segundo post, Schiff amarrou o preço à sorte do presidente. Apelidou Trump de "presidente do bitcoin" e disse que o que prejudica o mandato prejudica a moeda, porque os republicanos apoiam o bitcoin e os democratas não. A conta dele é sobre dinheiro. Convencer os democratas custaria aos grandes investidores mais do que já custou comprar os republicanos.
O nível que ele marcou antes da eleição
Schiff não chegou ao tema na quinta. Em 24 de outubro, um sábado, ele já havia escrito que o bitcoin estava finalmente quebrando e que, perdidos os US$ 80 mil, o caminho seguinte era US$ 75 mil. O fim de semana desmentiu o texto. O piso ficou em US$ 79.220 e a moeda voltou para cima de US$ 80 mil na segunda-feira, como o site mostrou na ocasião.
O alvo levou duas semanas e uma alta no meio do caminho para ser tocado. A moeda subiu com a apuração, devolveu o ganho na quinta e, na sexta, chegou ao nível que Schiff havia fixado em outubro, o menor desde 16 de setembro.
O dinheiro saiu depois da alta
O fluxo dos fundos de bitcoin listados nos Estados Unidos trocou de sinal no meio da semana. A quarta-feira, dia da alta, foi a única com entrada líquida, US$ 74,6 milhões. Quinta e sexta somaram US$ 842 milhões de retirada, e a semana fechou negativa em US$ 1,28 bilhão, na contagem da Farside.
A queda do bitcoin veio dentro de uma sessão ruim para toda a tecnologia. O SOXX, fundo que reúne as fabricantes de semicondutores, perdeu 12,15% na quinta, a maior baixa diária em cinco anos, e o Nasdaq fechou com 5,52% de queda. Bitcoin e semicondutores caíram no mesmo movimento de saída de risco que o site descreveu na quinta-feira.
O teste da tese política tem data
O novo Congresso toma posse em 3 de janeiro, e Elizabeth Warren, senadora por Massachusetts, é apontada para presidir a Comissão de Bancos do Senado. A indicação ainda não foi formalizada e depende da divisão dos colegiados entre os democratas, que deve sair nas próximas semanas.
A presidência muda o alcance da senadora. O cargo dá a ela o poder de definir a pauta, marcar audiências, exigir depoimentos e abrir investigações, em um colegiado que trata de bancos, moradia, mercados e marco regulatório dos ativos digitais. A projeção da Decision Desk HQ dá aos democratas 251 cadeiras na Câmara e 54 no Senado.
O histórico de quem assinou o aviso é longo. Em novembro de 2019, Schiff escreveu que o bitcoin nunca chegaria a US$ 100 mil. O bitcoin passou dos US$ 100 mil em dezembro de 2024. Em junho, ele admitiu que a moeda pode não zerar e manteve a previsão de perder mais de 99% do valor de mercado. Em 19 de outubro, o fundador da Binance, Changpeng Zhao, respondeu a uma compilação dessas chamadas com uma frase curta. "Ele vai estar certo um dia, depois que mudar de ideia."
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