Segurança

Os US$ 4,06 milhões do alerta de iPhone saíram de 365 carteiras em um mês

Nesta sexta-feira, o perfil Coin Bureau publicou um alerta para usuários de iPhone. Hackers teriam roubado US$ 4,06 milhões depois que uma vítima tocou em um anúncio no Safari e teve as carteiras esvaziadas, com suspeita de uso do kit de exploits DarkSword. O número existe e foi rastreado, mas ele descreve outra coisa. São pelo menos US$ 4,06 milhões em USDT retirados de 365 carteiras na rede TRON entre 5 de outubro e 4 de novembro, segundo a investigação publicada pela Bitquery.

A mensagem do perfil resume o caso como um clique seguido de roubo. O mecanismo descrito ali está correto e é a parte mais útil do aviso. São falhas do iOS encadeadas, sem pedido de conexão de carteira nem assinatura de transação, e o trabalho do kit é ler o que está guardado no aparelho.

O DarkSword foi documentado em março deste ano pela Lookout em conjunto com o Google e a iVerify, em iPhones que rodavam versões entre 18.4 e 18.6.2. O conjunto copia credenciais, fotos e dados de carteiras em poucos minutos, apagando o rastro antes de sumir. Nesta sexta-feira, a CertiK descreveu uma versão mais nova do kit, com alcance até a 18.7. A Apple publicou a correção em 24 de março, na atualização 18.7.7, e a nota oficial cita o DarkSword pelo nome. Um iPhone que ficou para trás nessas atualizações continua exposto.

De onde vem o número

A Bitquery seguiu o dinheiro a partir de uma carteira que pagava as taxas de rede. Ela financiou 43 endereços coletores, que existiam por um ou dois dias cada, recebiam o saldo inteiro das vítimas e paravam. Foram 365 carteiras esvaziadas na TRON, com pelo menos US$ 4,06 milhões em USDT e 137.688 TRX levados junto. O mesmo grupo ainda esvaziou 65 carteiras em outras oito redes, com pelo menos US$ 103 mil.

Esse total é um piso, e a própria investigação explica por quê. A contagem só inclui pagamentos que levaram o saldo inteiro de uma carteira, e só os coletores com ligação financeira direta com a carteira de taxas. O relatório original da vítima, publicado em um site de marketing de afiliados, traz números maiores, com 361 carteiras e US$ 7,88 milhões distribuídos entre 66 coletores.

A distribuição dos prejuízos muda a leitura do alerta. Metade das carteiras que perderam USDT perdeu menos de US$ 1.029. As que perderam abaixo de US$ 1 mil são 48% das vítimas e 1% do dinheiro. Oito endereços com perdas acima de US$ 100 mil respondem por 63% do total. O maior caso isolado levou US$ 693 mil, e o pior dia foi 25 de outubro, quando duas vítimas perderam US$ 1,21 milhão entre elas.

O único caso ligado a um iPhone

Em 15 de outubro, uma carteira mandou 16.428 USDT para um endereço desconhecido. Era o saldo inteiro. Doze segundos depois, as últimas frações em TRX foram pelo mesmo caminho. O dono contou o caso em um relato publicado depois, dizendo que abriu um vídeo no Safari, tocou em um anúncio e foi levado a outra página. Duas outras carteiras do mesmo aparelho foram esvaziadas na mesma ocasião.

O relato não traz endereços. A Bitquery conseguiu casar o caso com a rede porque os horários e os valores batem ao segundo, incluindo o que sobrou na carteira depois da saída. É o único episódio da investigação que pode ser ligado a um iPhone, e isso vale pelo motivo inverso. A rede mostra o dinheiro saindo e não diz qual aparelho estava na mão.

Daí a ressalva que a investigação faz questão de registrar. Não é possível dizer qual aplicativo estava instalado nas outras 364 carteiras. A acusação de que usuários da Trust Wallet teriam perdido US$ 1,1 milhão circulou no X sem endereços e não pode ser confirmada nem descartada. Na semana até 3 de novembro, a aliança de segurança SEAL registrou seis roubos em iPhones, somando cerca de US$ 127 mil.

Por que carteiras antigas caíram

Quase metade das carteiras esvaziadas, 46%, guardava dinheiro havia mais de um ano. Outras 87% tinham mais de um mês de uso, e 78% já haviam pago outros endereços, o que afasta a hipótese de carteiras descartáveis criadas para o golpe. Apenas 34 das carteiras afetadas movimentaram dinheiro depois do roubo.

O motivo é a frase de recuperação. Quem tem as 12 ou 24 palavras abre a carteira em qualquer aparelho, sem senha e sem o celular da vítima. Uma frase guardada em foto, nota ou backup na nuvem fica ao alcance de um kit que lê o conteúdo do telefone. O caso é parecido com o do malware que varria fotos em busca dessas frases, descrito nesta reportagem em julho.

O sinal que aparece segundos antes

Na TRON, mover USDT custa taxa paga em TRX, e muita gente tem dólares na carteira e quase nada de TRX. O ladrão com a frase em mãos precisa desse combustível. Por isso a carteira de taxas manda alguns TRX para o endereço da vítima e, segundos depois, o saldo inteiro sai. Em um dos casos, o envio de 18 TRX veio 18 segundos antes de 519.093 USDT deixarem a carteira. Uma transferência pequena de TRX de um endereço desconhecido, seguida de saldo intacto, é o aviso para mover o dinheiro na hora.

A carteira que pagava as taxas também precisou de dinheiro. Duas retiradas de exchange entraram nela em 18 de outubro, uma da Bybit, de 571 USDT, e outra da HitBTC, de 485 USDT. São saques de clientes, o que significa que as duas corretoras têm o registro de quem os fez.

Para quem usa iPhone, a correção está nas atualizações 18.7.7 e 26.3. Manter a frase de recuperação fora do telefone, sem foto, nota ou backup, tira do kit o que ele foi feito para encontrar. Quem foi esvaziado deve procurar a Tether e a exchange que recebeu o dinheiro, porque o USDT pode ser congelado, e desconfiar de quem cobra para recuperar o valor.

Nesta sexta-feira o alerta tratou os US$ 4,06 milhões como um roubo único. O rastreamento mostra um mês de saques, 43 endereços de coleta e um piso que a própria investigação reconhece como incompleto.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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