DeFi

Relatório da Hyperliquid aponta receita anualizada de US$ 840 milhões

A Hyperliquid apresentou nesta quarta-feira o relatório do segundo trimestre de 2026, e o número que concentra a atenção é a receita. O protocolo encerrou junho com uma taxa de receita anualizada de aproximadamente US$ 840 milhões, 52% acima do piso registrado em abril, o mês mais fraco da estrutura de taxas atual. A retomada veio puxada pelo volume de negociação, que acelerou ao longo do trimestre e devolveu fôlego ao caixa da plataforma. A receita mensal escalou com a atividade, com o documento destacando a recuperação sobre o ponto mais baixo.

A divulgação reforça o perfil do negócio por trás do token.

Segundo o relatório, a receita acumulada distribuída aos detentores de HYPE superou US$ 1 bilhão até o fim do trimestre. O número indica que o protocolo não depende apenas da valorização do ativo para gerar retorno. A própria Hyperliquid argumenta que o mercado passou a tratar a plataforma como geradora de caixa, em vez de mais um ativo de alta volatilidade. É a mesma leitura que sustenta a tese de que a receita virou o principal indicador de valor, acima da cotação.

O HYPE subiu 79% no período, segundo o documento.

Receita em alta e HYPE descolado do mercado

Em paralelo, o bitcoin recuou 14% no mesmo intervalo, o que marcou o segundo trimestre seguido de descolamento. A Hyperliquid calcula a vantagem relativa do HYPE sobre o BTC em 93%. A máxima histórica de US$ 76,90 foi registrada em 16 de junho, embora o token tenha recuado desde então e negocie perto de US$ 57. O desempenho veio em um momento em que as grandes criptomoedas perdem força.

O relatório também detalha a troca do ativo de cotação.

USDC assume o lugar do USDH

Em maio, o protocolo retirou o USDH e passou a usar o USDC, da Coinbase, como ativo principal de cotação. A mudança foi confirmada pela governança em junho, com 69,1% dos HYPE em staking votando a favor da proposta QAQv2.

A Hyperliquid estima que a adoção do USDC possa render entre US$ 135 milhões e US$ 200 milhões por ano aos detentores, com os juros indo para o Assistant Fund a cada 30 dias. A migração aproxima a plataforma dos mercados tradicionais, que usam a stablecoin como referência de preço, e reduz a dependência do token próprio para servir de cota nas negociações.

A outra novidade foi a chegada dos ETFs.

ETFs e tesouraria marcam o trimestre

Os três primeiros ETFs spot de HYPE nos Estados Unidos começaram a negociar em um intervalo de oito semanas. O THYP, da 21Shares, saiu em 12 de maio; o BHYP, da Bitwise, em 15 de maio; e o HYPG, da Grayscale, em 3 de junho. Juntos, os fundos acumularam US$ 309 milhões em entradas líquidas até o fim do trimestre, um sinal de demanda institucional pelo ativo.

A unidade que guarda a tesouraria também reportou números.

A Hyperliquid Strategies registrou US$ 152,5 milhões de lucro líquido no trimestre fiscal e elevou a tesouraria para 29,3 milhões de HYPE. O relatório descreve o período como aquele em que o restante das finanças começou a alcançar a estrutura da plataforma. O documento reforça que a empresa que opera o protocolo também passou a acumular caixa, em vez de apenas distribuí-lo aos detentores do token.

Os mercados de ativos reais também aparecem no documento. As categorias HIP-3 chegaram a responder por cerca de um terço de todo o volume, com recordes em ações, commodities e nomes pré-IPO. Uma companhia de foguetes de capital fechado chegou a ser precificada on-chain em um sábado, com a bolsa de Nova York fechada.

O conjunto consolida um novo patamar de maturidade.

A Hyperliquid deixou de ser vista apenas como uma DEX de perpétuos. A receita recorrente, a troca do ativo de cotação para o USDC e a abertura dos ETFs nos Estados Unidos formam um quadro que os mercados tradicionais reconhecem. O desafio dos próximos trimestres é manter esse ritmo de demanda diante de um token que já corrigiu parte do movimento de alta. O relatório mostra uma plataforma maior do que o preço do próprio ativo sugere.

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