Death cross segura o bitcoin mesmo com payroll fraco e Fed mais suave
O mercado de trabalho dos Estados Unidos surpreendeu para baixo, e o bitcoin reagiu com alta. O payroll de julho mostrou uma perda de 23 mil empregos, a primeira desde a recuperação pós-pandemia, contra a expectativa de um ganho de 95 mil posições.
O desemprego caiu para 4,1%, mas por um motivo que não anima. A queda veio porque mais gente saiu da força de trabalho, não porque houve contratação.
As revisões pioraram o quadro. O ganho de junho foi ajustado de 57 mil para 20 mil, e o de maio encolheu de 129 mil para 63 mil, um recuo que tira a força da leitura anterior. Na esteira do dado, a chance de uma alta de juros em setembro caiu de 55% para 40% na ferramenta CME FedWatch, enquanto rendimentos do Tesouro e o dólar recuaram.
Para ativos de risco e crypto, um Fed menos agressivo costuma ser um vento a favor. O bitcoin subiu pouco mais de 1% na sessão e voltou a se aproximar dos US$ 65 mil.
Payroll fraco alivia a pressão do Fed
O problema é que o gráfico ainda conta outra história.
O ativo segue preso abaixo das duas médias móveis principais, em uma formação que os traders chamam de death cross. O bitcoin fez um topo perto de US$ 80 mil em maio, caiu para uma mínima em torno de US$ 58 mil em julho e desde então se consolidou lateralmente, sem retomar a tendência.
O que o death cross diz sobre o preço
A formação acontece quando a média móvel de 50 períodos fica abaixo da de 200. Quando isso ocorre, o sinal de médio prazo ainda aponta para baixo, mesmo que o preço pare de cair.
O ativo negociava perto de US$ 64.979 no momento em que esta matéria foi redigida, com a máxima do dia tocando US$ 65.312.
O momentum aparece neutro. O índice de força relativa, ou RSI, está em 54,6, em uma escala de zero a cem em que 70 indica sobrecompra e 30, sobrevenda. Esse nível intermediário não dá combustível para rompimento nem para correção mais forte, e o volume não confirma nenhum dos dois lados.
O caso otimista existe, mas é fino. Seria preciso um fechamento diário acima da média de 50 períodos e da resistência de US$ 66 mil para abrir caminho até a média de 200 e a região de US$ 72 mil. Um Fed mais suave e um dólar fraco dariam a esse movimento um motivo concreto para se sustentar. A ressalva é que o bitcoin não conseguiu retomar nem a linha de 50 períodos ao longo de todo o movimento lateral, o que enfraquece a confiança nesse cenário.
O cenário pessimista é mais direto. Uma quebra abaixo de US$ 60 mil, no piso da nuvem e em um nível redondo que atrai atenção, apontaria de volta para a mínima de julho, em US$ 58 mil, reabrindo a tendência de queda da primavera.
O mercado de previsões acompanha a cautela. Na plataforma Myriad, os traders dão quase 65% de chance de o bitcoin voltar a testar US$ 55 mil antes de tentar uma recuperação rumo a US$ 84 mil. Esse posicionamento, que se mantém praticamente inalterado na última semana, mostra que o mercado de apostas não se convenceu com o alívio macro recente.
O payroll deu ao bitcoin a cobertura macro para subir, mas o death cross diz que o ativo ainda não merece essa alta.
Por enquanto, US$ 65 mil segue como a linha na areia. Acima da média de 50 períodos, o movimento lateral de julho parece construção de base. Abaixo de US$ 60 mil, vira bandeira de baixa.
O que resta é a espera. O próximo sinal técnico depende de um fechamento que o gráfico ainda não entregou, e o mercado segue dividido entre o alívio macro e a estrutura de baixa. Por ora, o payroll abriu uma porta, mas o gráfico continua no comando do movimento.
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