Dólar cai e Bitcoin reage com inversão de expectativas no mercado cambial
O dólar despencou na segunda-feira, atingindo o menor patamar desde o início de junho. A queda de 0,3% no índice DXY até 99,33 pontos refletiu a reversão completa das apostas de endurecimento monetário que dominaram o mercado no início de agosto.
A mudança veio de uma sequência de indicadores americanos que surpreenderam negativamente. Empregos recuaram em julho, o consumo das famílias caiu 0,6%, e tanto o CPI quanto o PPI mostraram números sem pressão inflacionária. Esses dados, somados, eliminaram qualquer justificativa para um novo aumento de juros.
O que parecia certeza há duas semanas virou o oposto. Antes do relatório de emprego de 7 de agosto, os mercados precificavam mais de 50% de chance de alta. Agora, a probabilidade de pausa na reunião de setembro chegou a 70%, segundo o CME FedWatch.
O euro subiu para ,1614, nível mais alto em dois meses, e a libra tocou ,3571, máxima de três. A valorização das principais moedas europeias aconteceu justamente quando o spread de juros entre os EUA e o resto do mundo começou a fechar.
No Japão, a situação tem um lado mais complexo. O iene valorizou para 159 por dólar mesmo com o PIB japonês tendo crescido apenas 1,1% anualizado no segundo trimestre, bem abaixo das expectativas de 2%. A razão é a especulação de que o Bank of Japan pode elevar os juros em setembro, algo que parecia improvável há poucas semanas.
A rupia perdeu 0,2% para a moeda americana, impulsionada por demanda de divisas por parte de empresas que buscam segurança energética em meio às tensões no Oriente Médio. O Reserve Bank of India antecipou prazos para seu mecanismo de troca de divisas, sinalizando urgência na defesa da moeda.
Moedas europeias ganham com inversão de expectativas enquanto petróleo mantém pressão
O petróleo Brent ficou em torno de US$ 89 por barril, sustentado pela crise diplomática no Golfo Pérsico. As negociações sobre o Estreito de Ormuz entre Washington e Teerã travaram no fim de semana, e o ministro iraniano Abbas Araqchi descartou a retomada de conversas. Trump alertou os americanos sobre custos mais altos de combustível.
Essa combinação cria um cenário dividido para os mercados de moedas. De um lado, a fraqueza do dólar beneficia euros e libras. Do outro, o petróleo caro pressiona moedas de países que importam energia, limitando a valorização mais ampla.
Para o mercado crypto, a fraqueza da moeda americana costuma ser catalisador positivo. Bitcoin subiu 1,17% para US$ 63.666, e Ethereum avançou 1,41% para US$ 1.905, na esteira do movimento cambial. O próximo evento de referência será o simpósio de Jackson Hole, onde a FED pode finalmente dar pistas concretas sobre a direção dos juros.
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