Segurança

Falha em vaults de cartão da Avici drena US$ 653 mil na Solana

Algo que a documentação tratava como impossível aconteceu na sexta-feira na Solana. Cerca de US$ 653 mil foram retirados dos vaults que guardam o colateral em USDC dos cartões Visa do projeto. O tracker ao vivo marcou US$ 653.548 na primeira apuração. Relatos posteriores falaram em mais de US$ 1 milhão à medida que novas contas eram esvaziadas.

A promessa quebrada estava escrita com todas as letras.

Como a autocustódia foi contornada sem roubo de chaves

O manual descreve os contratos de escrow como autocustodiais e sob controle exclusivo da carteira do usuário. Nem a Avici, nem o banco emissor Third National, nem a rede Visa teriam poder para movimentar o saldo. A única saída prevista seria o desconto do valor gasto no cartão, com liquidação do USDC em um a dois dias. Na sexta-feira, essa regra foi contornada sem uso de chaves roubadas.

O vetor ainda não foi confirmado. A hipótese mais citada fala em pacote de assinaturas forjado para virar administrador dos escrows e chamar o saque. A Avici não validou a descrição e limitou-se a dizer no X que está ciente do problema e trabalha com parceiros.

O dinheiro não saiu de um cofre único.

Por que a drenagem pulverizada muda a investigação

Cada cliente mantém um escrow individual onde deposita USDC, recebe limite em dólar e tem o saldo reduzido a cada compra. O atacante precisou esvaziar conta por conta. O tracker inicial e as mensagens que falaram em mais de 9 mil usuários impactados apontam para uma drenagem pulverizada, não para o esvaziamento de uma tesouraria central como já se viu em golpes de governança na rede.

Essa pulverização muda a investigação. Em tesourarias, uma proposta leva dezenas de milhões de uma vez. Aqui foram chamadas repetidas na mesma permissão. O colateral some igual, mas o mapeamento dos vaults tocados fica mais difícil.

O impacto no token e o que a Avici ainda não respondeu

O token do projeto reagiu antes de qualquer relatório técnico.

O AVICI caiu cerca de 40% até US$ 0,24 nas horas seguintes, quase um quinto do valor de mercado da época. No fim da noite do dia 28, o ativo negociava a US$ 0,324, com queda de 24,6% em 24 horas, volume de US$ 2,16 milhões e valor de mercado perto de US$ 4,18 milhões. A recuperação reduziu a distância para a mínima, mas não apagou a perda.

O preço da Solana no mesmo horário era US$ 103,69, com queda de 5,55% em 24 horas. O recuo ajuda a contextualizar o dia, mas não explica a queda desproporcional do AVICI.

O endereço apontado como responsável foi divulgado como FVNFzqAny8spWdPmYw6RQ9TkYa29ueFFiqCFD1gQnCEj. Consulta direta à rede no fim da noite retornou saldo zerado para essa carteira, sinal de que os fundos já haviam sido movidos para outros endereços. O dado confirma a movimentação, mas não revela o destino final.

A mecânica do cartão ajuda a entender a sensibilidade.

O usuário deposita USDC em contrato, recebe limite em dólar, gasta e tem o saldo deduzido. O Third National emite o plástico e liquida com a Visa em ciclos curtos. A autocustódia foi argumento de venda contra congelamento. Quando o colateral sai por terceiros, a confiança se rompe na garantia.

A autocustódia definiu quem não poderia mexer no dinheiro, mas não eliminou todos os caminhos privilegiados escritos no programa. Se a permissão de administrador pôde ser obtida com assinaturas forjadas, o controle da carteira deixou de ser suficiente. É uma falha de autorização, não de guarda de chaves, e por isso exige correção no desenho do contrato, não apenas troca de chaves.

Para quem usa o cartão, a dúvida é prática.

A Avici não disse se os vaults intactos continuam expostos à mesma chamada nem se a liquidação com o Third National foi interrompida. Também não informou se limites ainda podem ser usados ou há bloqueio preventivo. Sem isso, o usuário não sabe se mantém colateral no contrato ou se deve sacar o que restou para se proteger.

O caso não é o maior do ano. Já houve drenagens de US$ 20 milhões em DAOs e perdas de nove dígitos em firmware no mês anterior. Os US$ 653 mil iniciais, mesmo elevados depois para mais de US$ 1 milhão, ficam em ordem menor. O peso está no produto.

Cartões lastreados dependem de confiança dupla e o preço refletiu a quebra antes do relatório.

Até o fechamento a Avici não publicou post mortem, não detalhou contratos afetados e não apresentou plano de ressarcimento. A mensagem oficial manteve tom de monitoramento com parceiros. Pesquisadores seguiram atualizando o tracker sem confirmação da empresa sobre números ou vetor.

O desenho que fica é claro. Contratos que guardam fundos de milhares de usuários precisam tratar a função de administrador como superfície crítica. Assinaturas, administradores adicionais e rotas de saque devem exigir verificação que não possa ser forjada com um pacote montado fora da carteira do titular. Quando essa verificação falha, a autocustódia vira rótulo.

Para o mercado, o recado é sobre repetição. Falhas de autorização que dispensam roubo de chaves voltaram a aparecer em 2026 em cadeias diferentes e com produtos distintos. Cada caso drena valor moderado perto dos maiores hacks, mas somados corroem a percepção de que guardar colateral em contrato equivale a guardar em carteira própria. Até que a Avici mostre o que foi corrigido e quais vaults foram isolados, a incógnita sobre a extensão total seguirá aberta.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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