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Faltam 63,5 mil moedas para o teto de ether da BitMine, e o staking chega lá antes da compra

A BitMine Immersion Technologies vai encerrar a compra semanal de ether que mantém desde junho do ano passado assim que a reserva alcançar 5% de todas as moedas em circulação. O último registro da companhia, fechado em 18 de outubro e divulgado na segunda-feira, mostra 6.041.481 moedas de ether em carteira, ou 4,9% da oferta de 122,1 milhões que ela usa como referência. Faltam 63,5 mil moedas para o teto, o equivalente a US$ 153 milhões pelo preço desta quinta-feira, de US$ 2.404.

A fala que fixou o limite saiu no mesmo palco em que Tom Lee, presidente da companhia, cortou o alvo do ether para US$ 5 mil. Foi no TOKEN2049, em Singapura, no dia 7 de outubro. Lee atribuiu o número a uma sugestão de Vitalik Buterin, cofundador do ethereum, e disse que a empresa esperava cinco anos para chegar aos 5%. Levou 15 meses, quase todos em mercado de baixa, com boa parte das compras feita perto de US$ 1.500.

Os dois registros seguintes mudaram a conta. Na segunda-feira, a companhia informou a compra de 12.535 moedas na semana. Na quarta, depositou outras 159.728 em validação, e a fatia da tesouraria em staking chegou a 86,5%.

A distância que sobrou cabe em cinco semanas

No ritmo da última semana, as 63,5 mil moedas de ether que faltam saem em pouco mais de cinco semanas. Há caixa para isso. O mesmo registro de segunda-feira informa US$ 582 milhões em caixa e títulos negociáveis, quase quatro vezes o valor necessário para a compra final.

O caixa vem encolhendo enquanto a reserva cresce. Eram US$ 714 milhões em 21 de setembro, US$ 612 milhões em 11 de outubro e US$ 582 milhões agora. O passo de compra desacelerou junto. Foram 17.362 moedas na semana fechada em 21 de setembro, 15.112 no começo de outubro, 12.532 na semana seguinte e 12.535 na última. Lee avisou em maio que reduziria o ritmo antes de bater o teto, e a série mostra a redução em curso.

No palco, em 7 de outubro, Lee arredondou a distância para 100 mil moedas. O último registro antes da fala mostrava 88,6 mil. O arquivamento de segunda-feira reduziu o número para 63,5 mil.

O limite que a empresa atribui a Vitalik

A BitMine trata os 5% como um teto de concentração, e o caixa disponível sustenta a leitura de que a parada não vem de aperto financeiro. Lee contou no palco que a sugestão partiu de Vitalik, que teria pedido para a empresa parar nos 5%. Quando começou a desacelerar, a empresa já havia dito que tratou do assunto com gente ligada à Fundação Ethereum e que preferia não levar a fatia além disso.

O número reaparece em cada comunicado semanal, sempre com a mesma formulação. A companhia descreve a meta como o "Alchemy of 5%" e afirma que estava a 99% dela em 15 meses de operação.

O staking enche a lacuna mais rápido que a compra

Os 159.728 ether depositados na quarta-feira levaram a posição em validação a 5,23 milhões de moedas, US$ 12,6 bilhões no preço de hoje. A companhia projeta rendimento de 2,58% ao ano sobre esse bloco, o que dá perto de 134,8 mil moedas por ano, ou 11,2 mil por mês.

A lacuna tem uma segunda porta. A folga é de 63,5 mil moedas, e o rendimento do staking repõe esse volume em menos de seis meses, sem uma compra nova. Levado ao pé da letra, o limite de 5% transforma o excedente que a validação produz em venda, ou em retirada do staking. Sacar ether do staking não é imediato, porque a moeda entra na fila de validadores que pedem para sair. A companhia não disse o que fará com esse excedente.

O comprador que sobra também está vendendo

A reserva da BitMine cresceu a cada semana desde 30 de junho de 2025, inclusive nas de queda. Os ETFs de ether listados nos Estados Unidos não seguem esse roteiro. O levantamento da Farside mostra cerca de US$ 1,08 bilhão de saída líquida em outubro até o dia 21, o pior mês do ano para esses produtos, e a entrada acumulada em 2026 caiu para cerca de US$ 485 milhões.

Nas três últimas sessões, os fundos perderam US$ 103,3 milhões na segunda-feira, US$ 26,1 milhões na terça e ganharam US$ 14,9 milhões na quarta. O ether recuou 2,3% nesta quinta e vale US$ 2.404, pouco menos da metade do recorde de US$ 4.946, marcado em agosto do ano passado.

Sem a BitMine, o mercado do ether fica com o comprador que decide pelo preço. A empresa compra por calendário e por meta de participação, motivo que não depende da cotação do dia. Essa demanda sai de cena quando o teto for atingido, e o que existe no lugar dela reage à cotação.

A conta do acionista

Entre 11 e 18 de outubro, a BitMine comprou 12.535 moedas e viu a posição em ether perder US$ 1,05 bilhão, de US$ 15,34 bilhões para US$ 14,29 bilhões, nas cotações que a própria companhia usa nos comunicados. Eram US$ 2.544 por moeda em 11 de outubro e US$ 2.365 em 18 de outubro. Hoje, a US$ 2.404, a reserva vale US$ 14,5 bilhões.

A ação seguiu o mesmo caminho. A BMNR, negociada na NYSE, fechou a US$ 23,96 na quarta-feira e recuava para US$ 22,80 no começo desta quinta, pouco menos da metade do preço de um ano atrás. O piso do ano foi US$ 13,31, no fim de junho.

A tese que Lee vende é o ether por ação em alta. Enquanto a empresa comprava toda semana, esse número subia por construção. Com as compras encerradas, ele passa a depender do rendimento da validação, de cerca de 11,2 mil moedas por mês.

O bloco em staking rende perto de US$ 324 milhões por ano ao preço desta quinta-feira, mais que o dobro do que custa a compra final. A reserva vai crescer com esse rendimento, sem aquisição nova, depois do teto.

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