Bitcoin

O bitcoin passou dez horas acima dos US$ 84 mil e devolveu US$ 3,5 mil em 16 horas

O bitcoin furou os US$ 84 mil na manhã de quarta-feira, algo que não acontecia desde 6 de outubro, e chegou a US$ 84.898 no fim da tarde. Ficou cerca de dez horas acima do patamar, até a noite. O ponto mais baixo veio às 10h desta quinta-feira, em US$ 81.376, e o preço devolvia US$ 3.522 desde a máxima. A queda em 24 horas chegava a 2,6%.

O motivo apareceu antes do amanhecer em São Paulo. A TV estatal do Irã relatou ataques contra sete petroleiros na madrugada, no Estreito de Ormuz. Quatro levavam petróleo quando foram atacados e pegaram fogo. Os outros três pararam de se mover ao bater em minas navais. O relato veio da marinha da Guarda Revolucionária e não foi confirmado de forma independente. Um monitor britânico da navegação comercial contabilizou em outubro o maior volume de ataques a cargueiros desde março.

O petróleo respondeu antes das bolsas. O Brent subia 2,6%, para perto de US$ 111,70 o barril, depois de bater US$ 112,68 na máxima. O WTI ficava perto de US$ 99 o barril.

As ações da Ásia caíram na sequência. O Hang Seng perdeu 3%, o Kospi, 3,5%, o Nikkei, 2,65%, e o CSI 300 recuou 1,8%, o que levou o índice das 300 maiores empresas da China a 20% abaixo do pico de junho, em mercado de baixa. Em Nova York, o Nasdaq recuava 1,4% e o S&P 500, 0,8%. O Dow Jones perdia 0,2%.

O ouro caiu no mesmo dia

O metal que o mercado procura em dia de medo recuava 1,8%, para US$ 4.075 a onça, e a prata perdia 3,9%. Ouro, prata, ações e bitcoin caíram na mesma sessão, enquanto o petróleo subia 2,6% e o juro do título de dez anos do governo americano cedia de 5,15% para 5,03%.

Uma sessão que derruba o ativo de risco e a proteção ao mesmo tempo é venda de posição para levantar caixa. O que tem motivo próprio para subir, sobe. Nesta quinta, foi o petróleo.

Uma semana antes, a mesma combinação empurrou o bitcoin abaixo dos US$ 81 mil e liquidou US$ 951,4 milhões em um dia, mais que o dobro do volume desta quinta, quando a bolsa da Coreia fechou com queda de 8%. A recuperação veio no mesmo dia, e o preço não voltou ao piso desde então.

Quem comprou o rompimento pagou a conta

Quem apostava na queda pagou primeiro. Na subida até os US$ 84,9 mil, US$ 173 milhões em posições vendidas foram fechadas à força. Na volta, a conta trocou de lado. Nas 12 horas até o começo da manhã, as apostas na alta somaram US$ 210 milhões de um total de US$ 222 milhões liquidados.

A maior delas foi uma aposta de 11,8 milhões de dólares aberta na Binance e encerrada perto de US$ 83.500, no meio do caminho entre a máxima e o fundo do dia. O total liquidado em 24 horas ficou perto de US$ 430 milhões.

O número de contratos abertos na Binance caiu 5,9% em 20 horas, de 98,9 mil para 93 mil bitcoins. O pagamento para manter uma aposta na alta, que estava em 0,0085% a cada oito horas na véspera, virou negativo na janela das 5h desta quinta, algo que não acontecia desde 14 de outubro.

A faixa não mudou de lugar

O topo histórico, de US$ 126.080, foi registrado em 6 de outubro do ano passado, e o preço de hoje está 35% abaixo dele, dentro do intervalo em que se move desde 11 de outubro. O piso é a casa dos US$ 81 mil, furada para baixo em 15 de outubro e recuperada no mesmo dia. O teto é a faixa dos US$ 84 mil, rejeitada em cinco tentativas, quatro delas entre 11 e 14 de outubro.

O piso tem comprador. Na segunda-feira, os fundos de bitcoin dos Estados Unidos tiveram a maior entrada diária em um mês, US$ 526,7 milhões, quase todos no produto da BlackRock. O que trava o teto vem do outro lado. O Fed subiu o juro em setembro e o intervalo hoje vai de 3,75% a 4% ao ano, com a inflação ao consumidor em 3,7%, e a próxima reunião está marcada para os dias 27 e 28. Com o petróleo a US$ 111, o Fed entra na reunião sem espaço para cortar juro.

O preço passou duas semanas entre US$ 81 mil e US$ 84,9 mil porque há comprador para segurar o piso e não há motivo macro para furar o teto. A tentativa de quarta-feira foi a quinta rejeição em duas semanas, e a que custou mais caro em contratos fechados.

A decisão do Fed sai no dia 28. O fundo desta quinta está a US$ 376 do piso que o mercado defende desde o dia 15. O teto que a sessão rejeitou está a US$ 3.522.

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