Schiff apontou US$ 75 mil, e o bitcoin passou o fim de semana inteiro acima de US$ 79 mil
Peter Schiff escreveu no X no sábado, pouco depois das 13h de Brasília, que o bitcoin estava finalmente quebrando. Na leitura dele, perdidos os US$ 80 mil, o caminho seguinte levava aos US$ 75 mil, com dois dias de aflição para quem investe por ETF. O post passou de 644 mil visualizações e virou o assunto da moeda nas 48 horas seguintes.
A cotação não acompanhou o texto. O piso do fim de semana foi US$ 79.220, US$ 4,2 mil acima do alvo, e a oscilação de sábado e domingo não passou de 2,5%. Na manhã desta segunda-feira, o bitcoin era negociado perto de US$ 80,4 mil, 1% abaixo do fechamento de sexta.
As 48 horas seguintes ao post
A série horária mostra primeiro a ordem dos fatos. A mínima de sábado, US$ 79.220, saiu ao meio-dia de Brasília, uma hora e quarenta minutos antes de Schiff publicar. Ele escreveu quando o preço já havia feito o fundo do dia e voltado para perto de US$ 80,2 mil.
Domingo repetiu o desenho em escala menor. O bitcoin andou entre US$ 79.846 e US$ 81.034 e fechou a US$ 80.154. Na madrugada desta segunda, a mínima foi US$ 79.369, acima da de sábado, e o preço recuperou os US$ 80 mil logo depois.
O trecho do post que dependia do calendário era o dos ETFs. Os fundos de bitcoin listados nos Estados Unidos seguem o horário da bolsa e não abrem no fim de semana. Quem quisesse vender com o preço de sábado não tinha por onde. A primeira janela de saída é a abertura de hoje, às 10h30 de Brasília, com o bitcoin 1% abaixo do fechamento de sexta.
A semana dos ETFs terminou positiva
Os números que dão razão a parte da tese existem, e são diários. Na quinta-feira, os fundos devolveram US$ 635,6 milhões. Na sexta, mais US$ 137,9 milhões. São os dois dias que o post de sábado estava olhando.
A soma dos cinco dias fecha positiva em US$ 301,2 milhões, na contagem da Farside. Segunda e quarta tiveram entradas de US$ 526,7 milhões e US$ 524,8 milhões, a primeira delas a maior captação diária desde setembro, quase toda concentrada no IBIT, da BlackRock. O dinheiro que saiu na quinta e na sexta é real. A semana inteira não confirma a fuga.
Três avisos em 24 dias
O aviso de sábado não veio sozinho. Na quinta-feira, às 17h59 de Brasília, ele já havia escrito que a bolsa americana poderia desabar antes da disputa de 3 de novembro. Os motivos eram os de sempre, papéis cotados no patamar mais alto que se tem registro, juro longo subindo, inflação acelerando, mercado de trabalho fraco.
O vídeo que ele publicou em 30 de setembro dava números ao diagnóstico, com o título de 30 anos perto de 5,6% e a hipoteca de 30 anos a 7,4%. No fechamento daquele dia, os títulos de 10 e 30 anos dos Estados Unidos rendiam 5,29% e 5,64%. Na sexta, 5,00% e 5,33%, quedas de 29 e 31 pontos-base em pouco mais de três semanas. O S&P 500 fechou a 7.623,68, 0,4% abaixo do nível do fim de setembro, e o recorde do índice é de 6 de outubro, posterior ao aviso.
O ouro, que ele apresenta como o outro lado da aposta, caiu 7,1% em 2026 e está 24% abaixo do pico de 29 de janeiro. A inflação é o único dos argumentos que seguiu na direção prevista. O índice de preços ao consumidor subiu 3,7% em 12 meses até setembro, com 0,65% apenas na passagem de agosto para setembro, na série com ajuste sazonal.
O alvo tem histórico
Schiff persegue a queda do bitcoin há tempo suficiente para a série ficar datada. Em agosto de 2019, escreveu que o bitcoin nunca chegaria aos US$ 50 mil. Em fevereiro de 2021, com a moeda recém-chegada aos US$ 50 mil, admitiu uma alta até US$ 100 mil e manteve a volta a zero como destino. Neste mês, admitiu em uma entrevista que não consegue explicar o que segura a cotação e que já esperava uma correção que acabou não acontecendo.
O placar do ano sustenta parte do discurso. O bitcoin cai 8,3% desde janeiro e está 36,3% abaixo dos US$ 126.199 de outubro do ano passado, quando marcou o topo. O ouro também cai, e a bolsa americana renovou a máxima há 20 dias. O giro do dinheiro dos ativos de risco para o metal, que ele descreve desde setembro, não aconteceu nesta janela.
O que falta para os US$ 75 mil
A distância até o alvo é curta o bastante para ser percorrida em uma sessão ruim. Da cotação desta manhã, são 7,2%. Antes disso, o bitcoin precisa perder o piso de sábado, em US$ 79.220, e mais 5,6% a partir dele. As duas coisas caberiam na mesma madrugada, e o alvo segue na mesa.
O gatilho que ele descreve não apareceu. O juro longo cedeu, o ouro caiu junto com o bitcoin e o fluxo dos ETFs fechou a semana no azul. A queda de 2026 é fato, e o preço perdeu 5,3% desde a máxima de quarta-feira. O colapso com prazo, que ele marca para antes de 3 de novembro, ainda não começou, e faltam oito dias.
O fim de semana que ele chamou de longo terminou com o bitcoin US$ 800 mais barato do que na sexta e com a mínima de sábado intacta.
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