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O salto de 15 vezes da Cardano tem código pronto e espera o nó 11.2

A promessa é multiplicar por até 15 a capacidade de transações da Cardano. O primeiro passo para chegar lá entrou no código principal da rede na semana passada, e ele ainda não muda nada do que o usuário vê. O Praos2 é a peça que coloca o Leios para rodar sobre o consenso que a Cardano já usa. Ele entrou no ramo de desenvolvimento ao lado do LeiosNotify e do LeiosFetch, componentes que os nós acionam para trocar os lotes extras de transações entre si. As três fusões aparecem no relatório divulgado na sexta-feira, 23.

Falta a parte que escolhe e busca esses lotes. Sem ela, o Leios não fecha o ciclo e o ganho de capacidade não aparece.

A fila que a rede não consegue segurar

A Cardano opera hoje com um teto de aproximadamente 4,5 KB de transações por segundo. O limite vem do intervalo que um bloco tem para se espalhar pelos outros nós antes da produção do seguinte. Um pool assume a produção de um bloco a cada 20 segundos, em média, e a propagação de um bloco tem uma janela de cinco segundos. Blocos maiores estourariam esse prazo, e por isso o tamanho não sobe no consenso atual.

O Leios mantém o bloco comum e acrescenta um segundo, maior. Esse bloco extra não repete as transações. Ele traz uma lista de referências, e cada nó busca o que ainda não tem na própria fila. Um comitê de pools confere o conteúdo, assina o certificado e o lote entra no registro da rede.

O efeito para quem usa a rede é desigual. A transação que cabe no bloco comum é confirmada na velocidade de hoje. A que passa pelo bloco extra leva entre 45 segundos e um minuto. Em compensação, a fila de espera dos nós passa a caber pelo menos quatro blocos, contra dois hoje, e o envio deixa de ser barrado quando o movimento aperta.

Três a cinco vezes primeiro, 15 depois

A Input Output, empresa que desenvolve a Cardano, trabalha com dois patamares. O primeiro chega com o Dijkstra e propõe multiplicar por três a cinco o que a rede entrega hoje. Mais adiante, ao menos dois ajustes nos parâmetros empurrariam a capacidade para a faixa de 10 a 15 vezes o tamanho atual. Cada passo depende do resultado do anterior, e nenhum deles está marcado para uma data.

A rede de testes pública do Dijkstra ficou disponível na sexta-feira, 23, e ainda roda as regras da era Conway, com o nó na versão 11.1.3. Para trocar de regras, falta a prévia da versão 11.2 e um pedido de hard fork registrado na própria rede. Até esta segunda-feira, 26, a última versão publicada no repositório oficial da Cardano era a 11.1.3, de 29 de setembro.

O protótipo também mudou. Os desenvolvedores apertaram as checagens sobre o anúncio dos blocos extras e sobre os certificados, e restringiram o formato novo de cabeçalho ao Dijkstra em diante. A alteração obriga a reiniciar a rede de testes do protótipo do zero. A mainnet segue intocada.

Quem precisa votar antes de ligar

Depois do fork, o trabalho passa para os operadores de pools. Cada um precisa registrar uma chave BLS, que serve para votar nos lotes extras. Quem não registrar continua produzindo blocos comuns e fica fora da votação do Leios. A estimativa da Input Output é que as chaves cubram de 90% a 95% do stake delegado antes da ativação, o que corresponde aos 500 a 900 maiores pools.

A conta considera que o certificado de um lote precisa de assinaturas equivalentes a 75% do stake ativo. Com perto de 2.700 pools registrados na mainnet, distribuídos por continentes e com hardwares diferentes, a margem serve para cobrir quem estiver offline na hora da votação.

O calendário ainda passa por uma escada de votações. Antes do fork, a constituição precisa abrigar os parâmetros novos do Dijkstra e as faixas em que eles podem ser alterados. A proposta, a CAP-12, chegou à quarta versão em outubro e mantém pontos em aberto, entre eles os limites numéricos, a alavancagem exigida dos pools e o procedimento para desligar o Leios. Para passar, ela precisa de 75% do stake nas mãos dos DReps e do aval de dois terços dos membros do comitê constitucional.

O fork em si tem uma barra mais baixa, com 60% dos DReps, 51% entre os operadores de pools e o mesmo patamar de dois terços no comitê. Se o Dijkstra entrar, cada aumento de capacidade depois disso volta ao crivo dos três grupos, agora com 67% dos DReps e 51% dos operadores. Esses aumentos dispensam um novo hard fork, contanto que respeitem as faixas já aprovadas na constituição.

Antes de subir qualquer limite, a Input Output pretende rodar rajadas de transações na mainnet para medir a propagação dos blocos extras, o retorno dos votos e a folga que sobra nos nós. Cada proposta de aumento se apoia nas medições da etapa anterior.

No mercado, o ADA é negociado perto de US$ 0,20 nesta segunda-feira, com queda de 7% em sete dias. O Leios entrou na conversa de preço no começo do mês, quando Charles Hoskinson publicou um gráfico do par ADA/USDT com a etiqueta #LeiosIsComing.

Nenhuma das três fusões anunciadas na sexta-feira muda o teto da rede por conta própria. Os 4,5 KB por segundo seguem valendo até o Dijkstra entrar na mainnet, o que ainda depende da versão 11.2 do nó, de um pedido de hard fork e das votações que vêm antes e depois.

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