Segurança

US$ 2,4 bilhões do maior roubo da história seguem em bitcoin e ether, fora de alcance

Poucas horas depois do saque, os investigadores de blockchain já tinham um nome. A TRM Labs apontou a TraderTraitor como responsável pelo desvio de US$ 6,36 bilhões das carteiras da Binance, unidade de ataque da Coreia do Norte especializada em invadir empresas de criptoativos e que investigadores ocidentais tratam como Grupo Lazarus. Um grau alto de confiança sustenta a conclusão, apoiada em dados de blockchain e em informações fora da rede. Até a manhã desta sexta-feira, a exchange não havia confirmado a autoria e nenhum governo tinha acusado alguém formalmente. Pela conta da própria Binance, o impacto do episódio fica perto de US$ 6,3 bilhões.

No rastro do próprio dinheiro apareceu o elo mais forte. ZachXBT, investigador independente, mostrou que ativos retirados da Binance e ativos do roubo sofrido pela Bitget se encontraram no mesmo endereço depois de passarem pela THORChain, uma ponte que troca moedas entre redes. Antes disso, o caso da Bitget já havia sido atribuído a autores norte-coreanos. Do lado da Chainalysis, a conclusão foi a mesma, alcançada por caminho próprio. Semelhanças com o assalto à Bybit que rendeu US$ 1,5 bilhão entraram na lista da TRM, junto com o episódio da Kelp DAO em abril deste ano, e o FBI já havia atribuído aquele roubo ao mesmo grupo. Trinta e seis horas antes do saque, a preparação já estava em curso.

A Binance descreveu a entrada dos invasores sem apontar culpados. O laptop comprometido de um engenheiro de DevOps abriu caminho até um contêiner de serviço, e a partir dali saíram ordens de saque não autorizadas. Não há, até agora, sinal de vazamento de chave privada, e a empresa admite outros pontos de violação em apuração. Richard Teng, que divide o comando da exchange, escreveu que o invasor não se apoiou apenas nas permissões de um engenheiro e que a operação teve várias etapas até o desvio. Como as carteiras foram esvaziadas está na matéria publicada nesta manhã.

O que ninguém conseguiu travar

A Binance contabiliza algo como US$ 3 bilhões travados. Na soma da TRM, a Tether, a Circle, a Ripple e a World Liberty Financial bloquearam US$ 2,67 bilhões, e o conselho de segurança da Arbitrum travou 8.426 ether e 74,6 milhões de tokens ARB. Toda stablecoin tem um emissor, e o emissor bloqueia o saldo quando decide. As moedas que sobraram não têm ninguém para chamar.

O invasor ficou com mais de 420 mil ether e 18.270 bitcoin, algo como US$ 2,4 bilhões que nenhuma empresa consegue congelar por conta própria. Já o bitcoin se move em transferências cada vez menores, encadeadas uma após a outra, até o valor original se dissolver em uma sequência longa de endereços.

Mover esse volume exigiu pressa, e a pressa cobrou caro. Para receber perto de 122.300 ether, o invasor entregou US$ 325 milhões em USDT a formadores de mercado, com desconto acima de 10% sobre o preço de tela. No Aave, deixou 60 milhões de USDT como garantia e levantou 19.760 ether. As duas operações trocam um ativo que o emissor trava por outro que ninguém trava, e o custo disso aparece no desconto. Pela projeção da TRM, a próxima etapa passa por pontes entre redes, mesas de balcão e serviços de troca.

O ano mais caro da história

Os US$ 6,3 bilhões entraram em um placar que já estava alto. Na contagem da DeFiLlama, 2026 passou de US$ 8 bilhões roubados e virou o ano com mais dinheiro perdido em ataques na história do setor. Em 2025 inteiro, os ataques somaram US$ 2,87 bilhões, espalhados por quase 150 casos.

Para Ari Redbord, que responde pela área de política da TRM Labs e já foi procurador federal nos Estados Unidos, a escala muda a natureza do crime. Roubo desse tamanho, disse ele, acaba financiando armamento e operações que desestabilizam outros países.

Congelar não devolve. O chefe de pesquisa da Chainalysis, Eric Jardine, explica que o bloqueio técnico sai em horas, enquanto a devolução depende de ordem judicial e de coordenação entre exchanges e emissores de stablecoin, em um processo que costuma levar meses ou anos. A Binance diz que cobre todas as perdas, que nenhum depósito de cliente foi afetado e que os saques voltam em um ou dois dias.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *