O JPMorgan projeta 10% ao ano para o bitcoin e a carteira pronta reserva 2% a ele
Tyler Evans, da UTXO Management, chamou de "acumulação forte" o que vê nos fundos de bitcoin dos Estados Unidos. Antes, o fluxo estava em "fortemente negativo", disse ele. A frase tem apoio nos números da semana e convive com um detalhe que costuma ficar fora do gráfico.
Os doze fundos listados no país emendaram quatro sessões de entrada entre segunda e quinta-feira, com US$ 440,7 milhões. As três primeiras somaram US$ 423,6 milhões, como o balanço da quarta-feira mostrou. A quinta acrescentou US$ 17,1 milhões.
O volume é modesto para o padrão que acompanhou as altas fortes. Nas três disparadas do bitcoin desde janeiro de 2024, os fundos captaram em média US$ 235 milhões por dia, na contagem da SoSoValue sobre 199 pregões. Desde 1º de julho, a média caiu para US$ 86 milhões. Nas quatro sessões desta semana, ficou em US$ 110 milhões diários.
Quase tudo passou por uma porta. O IBIT, da BlackRock, respondeu por US$ 410,6 milhões do total, 93%. Em outubro, o fundo acumula US$ 1,2 bilhão em entradas, enquanto o FBTC, da Fidelity, devolveu US$ 553,6 milhões e o ARKB perdeu US$ 314,6 milhões. O padrão se repete desde o começo do mês, quando o saldo positivo do conjunto veio de um fundo só.
Outubro fecha a quinta-feira com US$ 128,3 milhões de entrada líquida em 21 pregões, treze deles positivos. Em 22 e 23 de outubro, US$ 773,5 milhões tinham saído, sendo US$ 635,5 milhões no dia 22, a maior retirada diária desde 25 de junho. A recuperação dos quatro dias cobre 57% do buraco.
A projeção mais alta da casa e o espaço de 2%
O relatório que Evans cita saiu em 20 de outubro, assinado pelo JPMorgan Asset Management, com as premissas que a casa usa para a próxima década. Ele projeta 10% de retorno anualizado para o bitcoin nos próximos dez anos, o número mais alto da lista, acima dos 7,5% das ações americanas de grande porte e dos 5,5% do ouro.
A mesma casa calcula volatilidade de 55% ao ano para o bitcoin, contra 18% das ações, e mantém a moeda fora dos modelos de carteira que recomenda. Sheena Shah e Dennis Cristallo, que assinam o trecho, dizem que o bitcoin não cumpre outra função em carteira além de apostar na expansão do dinheiro estatal.
Em 27 de outubro, a VanEck lançou o WBMO, um fundo que junta ações globais, títulos, ouro e bitcoin em uma cota só. A fatia do bitcoin tem alvo de 2% e pode variar entre 1% e 5%. Custa 0,33% ao ano antes de descontos. Quem compra não precisa de carteira nem de chave, e também não escolhe o tamanho da posição.
A MSCI, outro item da lista de Evans, fecha a outra ponta. Em 15 de outubro, a provedora aprovou a regra que tira dos índices globais as companhias que só guardam ativos, sem operação por trás, e a lista de candidatas inclui a Strategy, com 848.250 bitcoins. A regra entra em vigor no fechamento do dia 30 de novembro. O dinheiro que sai dessas ações não vai para o bitcoin no cofre da empresa. Ele deixa de existir como exposição indireta.
O teste chegou antes do primeiro dado
Na noite de quinta-feira, a Binance confirmou o maior roubo da história do setor, com impacto estimado em US$ 6,3 bilhões e US$ 3 bilhões congelados, como a apuração da madrugada mostrou. O bitcoin saiu de uma máxima de US$ 81.890 e tocou US$ 76.301 em poucas horas. No fim da manhã desta sexta-feira, era negociado a US$ 76,7 mil.
O preço parou em cima da linha que a Galaxy Research marcou como condição da própria tese. No relatório de 26 de outubro, a casa apontou a média de 50 semanas, então em US$ 76.540, como o nível que desfaz a leitura se um fechamento semanal ficar abaixo dele sem recuperação em até um mês, conforme a matéria daquele dia. A semana fecha no domingo.
O fluxo de sexta-feira ainda não foi publicado. Os emissores divulgam o número depois do fechamento de Nova York, e é ele que vai indicar se a sequência de quatro dias sobreviveu ao roubo. A última sessão da série, na quinta-feira, terminou horas antes de o caso virar público.
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