Segurança

O fundo de emergência da Binance gastou metade do que tinha e não marcou data para voltar

A reserva que a Binance mantém para cobrir prejuízos de clientes em ataques caiu pela metade no sábado. Eram 15 mil bitcoins na carteira divulgada pela empresa. Nesta segunda-feira, às 10h50, restavam 7.500, o equivalente a US$ 585 milhões com a moeda a US$ 78 mil. O endereço é público e o saldo pode ser conferido por qualquer pessoa.

A saída veio em duas transferências, uma de 1 bitcoin e outra de 7.499. O troco dos dois envios voltou para o próprio endereço, então o que saiu bate com metade exata do saldo anterior. A corretora confirmou no sábado que o dinheiro veio do SAFU, o Fundo Seguro de Ativos para os Usuários.

O fundo nasceu em julho de 2018, formado com 10% das taxas de negociação. Em fevereiro deste ano, a Binance converteu a reserva inteira para bitcoin e abasteceu a carteira com 15 mil moedas em cinco remessas, entre os dias 2 e 12 daquele mês. Desde então, o tamanho do fundo em dólares anda junto com o preço da moeda.

A empresa diz que vai devolver o fundo ao tamanho original, perto de US$ 1 bilhão. Não disse quando, nem por qual caminho. Em novembro de 2022, a carteira recebeu 8.325 bitcoins de uma vez, o maior reforço desde que o endereço foi aberto, o que mostra que a operação já foi feita antes.

A regra que só previu queda de preço

A política do fundo tem um piso numérico, descrito nas perguntas e respostas publicadas pela corretora. Se o preço do bitcoin derrubar a reserva para menos de US$ 800 milhões, a Binance devolve o fundo ao patamar de US$ 1 bilhão. Com 7.500 moedas, o fundo está abaixo desse piso desde sábado.

Desta vez, a queda veio de um gasto. O texto amarra o piso à variação do preço, e nenhuma linha trata do caso em que a reserva é usada para pagar um prejuízo. A Binance não informou se considera a regra acionada nessa situação nem se o reajuste entra na conta da reposição prometida.

O alcance do fundo também está escrito na mesma página. Entram perdas de clientes que tiveram a conta comprometida por falha nos sistemas da corretora. A Binance escolhe quais pedidos atende, pode mudar a destinação do dinheiro quando quiser e dá 90 dias para o cliente reclamar.

Em 2019, o fundo pagou a conta sozinho

Em maio daquele ano, invasores levaram 7.000 bitcoins da carteira que processa saques, US$ 40 milhões na cotação da época. A Binance anunciou que usaria o SAFU para cobrir o prejuízo inteiro e que nenhum cliente perderia saldo. Criado havia menos de um ano, o fundo bastou.

O ataque da quinta-feira levou US$ 6,3 bilhões, e a reserva entrou como uma das três fontes de dinheiro, junto com parte do fundo de garantia dos contratos futuros e o caixa da própria empresa. A reposição chegou a 95% do valor roubado na manhã desta segunda-feira, e o que falta são moedas menores, compradas aos poucos.

Os saques voltaram no domingo, por etapas, até cobrir 15 redes. Nas primeiras nove horas e meia, clientes retiraram US$ 4,65 bilhões e depositaram US$ 1,01 bilhão. A saída líquida de US$ 3,64 bilhões equivale a 2,1% dos US$ 171 bilhões que a corretora administrava antes do ataque. Ficou para terça a prova de reservas, que a empresa havia prometido para esta segunda-feira.

O caminho de volta

Com o bitcoin a US$ 78 mil, o fundo precisaria de cerca de 12,8 mil moedas para valer US$ 1 bilhão. São 5,3 mil a mais do que tem hoje, perto de US$ 415 milhões em compras. Se a moeda cair, a distância cresce, porque a reserva inteira está em bitcoin.

Até que isso aconteça, o próximo incidente encontraria a Binance com metade do colchão que ela tinha na quinta-feira.

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