Os três fundos da BlackRock devolveram US$ 548 milhões, mais do que a saída de todo o mercado de ETFs
Na segunda-feira, os fundos de cripto da BlackRock nos Estados Unidos fecharam o dia com resgate líquido de US$ 548,2 milhões. O IBIT, o maior ETF de bitcoin do mundo, respondeu por US$ 405,3 milhões. Em seguida vêm o ETHA, com US$ 138,3 milhões devolvidos, e o ETHB, com US$ 4,6 milhões. No mesmo pregão, todos os ETFs de bitcoin e de ether do país somaram saída de US$ 538,3 milhões.
O número tem uma consequência aritmética. A BlackRock devolveu US$ 9,9 milhões mais do que o mercado inteiro devolveu, então os outros emissores, somados, terminaram o dia com captação. O Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund recebeu US$ 6,7 milhões e um único fundo de ether entrou com US$ 3,2 milhões. Os demais passaram o dia zerados.
Quem vendeu foi o cotista
A gestora não mudou de ideia sobre bitcoin. Quem pediu o dinheiro de volta foi o dono da cota, e o fundo precisou vender a moeda para pagar. É a mesma engrenagem que explicou a saída de ether em outubro, quando o ETHA concentrou o resgate do grupo, e o passo a passo está nesta matéria do site.
Pela cotação do começo de segunda-feira, US$ 78,3 mil por bitcoin, os US$ 405,3 milhões do IBIT equivalem a cerca de 5,2 mil moedas que saíram do fundo e precisaram encontrar comprador no mercado à vista em uma sessão.
A conta na taxa da gestora
O IBIT cobra 0,25% ao ano sobre o patrimônio. Aplicada aos US$ 405,3 milhões que saíram, a taxa que a BlackRock deixa de arrecadar é de cerca de US$ 1 milhão por ano. É o tamanho do efeito no caixa de quem administra o fundo. Desde o lançamento, em janeiro de 2024, o produto acumula US$ 65,9 bilhões em entradas líquidas, e o resgate de segunda equivale a 0,6% desse total.
O dinheiro que saiu do IBIT também não reapareceu nos fundos mais baratos. No BITB, que cobra 0,20%, e no ARKB, de 0,21%, não entrou nada na segunda-feira. Se a saída fosse busca por taxa menor, o destino seria outro.
Três sessões seguidas e uma semana no vermelho
A segunda-feira foi o terceiro pregão consecutivo de saída somada nos dois grupos. Na quinta, o saldo já era negativo em US$ 88,3 milhões, com o bitcoin captando US$ 17,2 milhões e o ether devolvendo US$ 105,5 milhões. A sexta-feira foi pior, com US$ 798,9 milhões de saída. Já a segunda fechou em US$ 538,3 milhões.
Nas últimas sete sessões, os ETFs de bitcoin devolveram US$ 738,9 milhões e os de ether, US$ 566,7 milhões. Somados, US$ 1,3 bilhão.
A virada aparece na comparação com o próprio mês. Em 19 de outubro, o IBIT captou US$ 665,2 milhões em uma sessão. Duas semanas depois, a saída do mesmo fundo fechou o dia em US$ 405,3 milhões.
O calendário do mês ajuda a organizar a saída. Em 29 de outubro veio o roubo à Binance, cuja conta em dinheiro o site já mostrou, e o bitcoin fechou outubro 7,5% abaixo do nível do começo do mês. No ether, o resgate ganhou tamanho na quinta e na sexta, quando o ETHA devolveu US$ 71,7 milhões e US$ 76,6 milhões, acima dos dias anteriores.
O que o fluxo mostra nesta terça
Por volta das 12h40 desta terça-feira, o bitcoin valia US$ 77,2 mil, e o ether, US$ 2.286. Os americanos votam hoje nas eleições de meio de mandato, que renovam a Câmara inteira e um terço do Senado. Na sexta-feira sai o relatório de emprego dos Estados Unidos.
Nenhuma outra gestora captou a diferença neste começo de semana. A conta de segunda ficou toda com a BlackRock, e o dinheiro que saiu do IBIT não voltou ao setor por outra porta.
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