Metade das pools da Cardano já fechou, e 131 milhões de ADA continuam delegados a elas
A Cardano tinha 131,63 milhões de ADA apontados para pools que encerraram a operação nesta terça-feira, na contagem da Cexplorer, que publicou o alerta na manhã de hoje. São 59.025 delegadores com a delegação parada em um operador que não produz mais blocos, e por isso não recebem recompensa nenhuma. O ADA não foi embora. Continua na carteira de cada um, disponível para gastar, apenas parado onde não rende.
O número assusta na manchete e encolhe na conta. Os 131,63 milhões equivalem a 0,61% dos 21,54 bilhões de ADA que a rede tem em staking, número lido da mesma base pública que alimenta os exploradores. Pela cotação desta terça, US$ 0,19 por ADA, são US$ 25 milhões, uma fração dos US$ 4,1 bilhões que o conjunto do staking da Cardano vale.
O que cada delegador deixa na mesa
Dividido pelos 59.025 afetados, o saldo médio é de 2.230 ADA, perto de US$ 425. A recompensa que deixam de receber, com o rendimento da rede hoje em 2,1% ao ano, é de 47 ADA, ou US$ 9 por ano. Por mês, menos de 4 ADA.
O conserto custa uma transação. A Cardano não trava o saldo delegado, então o ADA segue sob controle do dono e pode ser movimentado a qualquer momento. Para voltar a render, basta escolher outra pool ativa e refazer a delegação, operação que sai por cerca de 0,17 ADA de taxa. Quem sabe, resolve em um minuto. Quem não sabe, fica anos no mesmo lugar.
Por que a delegação não volta sozinha
Uma pool que decide encerrar anuncia a aposentadoria com antecedência e segue recebendo delegações até o epoch marcado. Depois disso, deixa de produzir blocos e os delegados que ficaram passam a receber zero. O principal não se perde, a custódia segue com o dono e nenhuma carteira é obrigada a avisar. Na tela, o saldo continua aparecendo, com o mesmo operador de sempre, o que basta para o problema durar.
A cauda que explica o número
O registro da rede lista 6.171 pools criadas desde o início, das quais 3.285 estão aposentadas. Sobram 2.884 ativas para dividir os 21,54 bilhões de ADA em staking. Metade do que já existiu encerrou.
A conta que empurra uma pool pequena para fora é fixa. O protocolo obriga um custo mínimo de 170 ADA por epoch, cobrado do bolo de recompensas antes de qualquer divisão com os delegadores, o que dá 12.410 ADA por ano de piso. Uma pool que valida poucos blocos paga esse valor primeiro e repassa o resto. Quanto menor o stake, maior a fatia consumida pela taxa fixa, e mais racional fica para o delegador migrar para uma pool grande.
A rede tentou corrigir isso duas vezes. As duas propostas que baixavam o piso de 170 para 75 ADA chegaram a ser votadas e expiraram, a última em outubro. Na que exigia voto dos operadores, 147 pools disseram sim e 59 disseram não, mas o sim somou 34,5% do stake. A apuração pesa pelo stake de cada operador, e a quantidade de pools não entra na conta. Quem fecharia votou a favor. A decisão ficou com quem permanece.
O rendimento que essas pools deveriam dividir já vem quase todo da reserva do protocolo, com as taxas respondendo por uma fatia mínima, como o site mostrou em setembro. Com a reserva encolhendo a cada epoch, o piso fixo pesa mais a cada ano que passa, e a conta do operador pequeno fica pior sem que nada mude na rede.
Os 131,63 milhões de ADA parados são 0,61% do staking e uma conta de US$ 9 por ano para cada um dos 59.025 delegadores. A Cardano não corre risco com isso. O que o número mede é o tamanho da cauda que ficou para trás quando a economia da pool pequena deixou de fechar, e que cresce a cada operador que encerra.
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