O Texas travou 474 GW de pedidos de energia e o mercado passou a cobrar as mineradoras pelo endereço
Na quarta-feira, o S&P 500 teve o melhor dia em três meses, no dia seguinte ao resultado que deu aos democratas as duas casas do Congresso. No mesmo pregão, a Cipher caiu 17,2% e a IREN recuou 9%. O que sustenta o valor dessas empresas hoje é energia e terreno para centros de dados, e foi esse negócio que o eleitorado do Texas colocou em dúvida.
Gina Hinojosa, democrata, derrotou o governador Greg Abbott na terça-feira e prometeu pausar a aprovação de novos centros de dados até que a legislatura aprove regras de proteção às comunidades locais, em janeiro. O Texas reúne perto de 25% do que o país planeja construir em centros de dados.
A pausa começou antes da eleição
Em agosto, Abbott mandou a comissão de energia e o operador da rede texana auditar todos os pedidos de conexão na fila, que somavam cerca de 474 GW, mais de cinco vezes o recorde de carga do sistema. Em setembro, o estado congelou licenças ambientais de centros de dados. Das 377 companhias consultadas pela comissão sobre os planos de expansão, 28 responderam.
Hinojosa tem três alavancas e nenhuma delas exige o legislador. Pode parar por decreto, trocar os comissários da agência que julga os pedidos, cujos mandatos vencem em 2027, e orientar os órgãos a suspender licenças pendentes. Mexer na isenção de imposto estadual ou dar às prefeituras poder de recusar projetos depende de votação no legislativo.
Wall Street separou as empresas em duas listas
Na avaliação do Morgan Stanley, o resultado da eleição que mais pesa para o setor de centros de dados, de longe, foi o do Texas. O banco não mudou recomendações, mas disse que vai reduzir a chance que atribui aos projetos que ainda estão na fila.
Cipher, MARA e Galaxy aparecem como as mais expostas. Os empreendimentos citados na conta são o Helios II, da Galaxy, o site Colchis, da Cipher, e um projeto em desenvolvimento da MARA. Do outro lado ficaram as obras já em andamento, como as fases II e III do Helios I, o Beacon Point, da Hut 8, e os sites que a Cipher já opera.
A Bernstein foi mais longe e cortou o preço-alvo de sete mineradoras, com reduções entre 35% e 54%. O argumento foi o crédito mais caro e a incerteza sobre as aprovações no Texas.
A conta que sustenta o preço
Vale olhar o que o Morgan Stanley usou para chegar ao alvo da Cipher, de US$ 51,50. Desse total, US$ 18 por ação vêm dos contratos já assinados e da mineração. O resto depende da chance, que o banco estima em 56%, de os sites adicionais fecharem contratos. No cenário sem nenhum projeto novo, o valor cai para US$ 5. Na terça, a ação fechou a US$ 8,12.
A Galaxy recebeu alvo de US$ 43, cerca de 155% acima dos US$ 16,83 do fechamento de terça. Os dois papéis seguem com recomendação de compra. A diferença está no que sustenta cada preço. Dos dois alvos, a fatia maior vem de contratos de energia e de terreno, e a mineração responde pela fatia menor.
A empresa que ficou fora do mapa
Entre as texanas, a TeraWulf caiu 4%, bem menos que as vizinhas. O campus que ela negocia com a Anthropic fica em Kentucky. São US$ 19 bilhões em contratos de locação garantidos pelo Google, mas o aval só passa a valer quando a construção terminar, e a empresa ainda precisa bancar de US$ 4 bilhões a US$ 4,5 bilhões em obras.
O que a queda do bitcoin muda
Já o bitcoin caiu junto com o Nasdaq nesta quinta-feira, e as liquidações chegaram a US$ 496 milhões em uma hora. A queda da moeda não altera a conta que a eleição abriu para as empresas que vivem de energia, e essa conta é maior para quem tem projeto na fila do que para quem já tem obra em pé.
O Modo Energy mapeia 633 GW em projetos de centros de dados no país e calcula que 165 GW deles, 26% do total, estão em estados cujo governador eleito defende pausa imediata. No Texas, os mandatos dos comissários que julgam os pedidos vencem em 2027, e a fila só volta a andar depois disso.
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