IA e Tecnologia

Cofundador do Zcash diz que a IA ameaça a criptografia antes do computador quântico

Eli Ben-Sasson, cofundador do Zcash e diretor executivo da StarkWare, publicou no X que a criptografia que sustenta carteiras, contas e aplicativos está sob pressão de uma frente que chega antes dos computadores quânticos. Na mensagem, ele afirma que o ritmo dos ataques não deve desacelerar com o avanço da IA e defende padrões mais fortes, entre eles os baseados em ZK-STARKs.

O alerta aparece uma semana depois do desvio que a Binance ainda repõe. Na quinta-feira passada, US$ 6,34 bilhões deixaram as carteiras quentes da corretora em três saques, entre 17h24 e 18h44, e a empresa passou os dias seguintes comprando ativos equivalentes com dinheiro próprio.

Quem assina o aviso também vende a solução. A StarkWare, empresa que ele comanda e que construiu a Starknet, processa transações com ZK-STARKs, a mesma família de esquemas que ele agora recomenda. Desde outubro, ele defende que a Starknet deixe de ser uma camada sobre a Ethereum e passe a operar como rede própria, para controlar o calendário das próprias migrações de segurança. A Starknet trabalha com 2027. Na Ethereum, a fundação fixou dezembro de 2029 para a camada principal, e o bitcoin segue sem data definida.

O que a medição mostra

O recorte do alerta que não depende do produto dele tem números. Publicado em 30 de setembro, o relatório do Google Threat Intelligence Group mede o efeito da IA sobre falhas de software, e o resultado é o dobro em oito meses. As divulgações mensais de vulnerabilidades eram 5.045 em janeiro e chegaram a 10.740 em agosto. No ano passado, a média de falhas exploradas por mês foi de 10,5. Entre janeiro e agosto deste ano, ficou em 18. Nos oito primeiros meses de 2026, 141 vulnerabilidades foram exploradas, mais do que as 127 de todo o ano passado.

O perfil do que a IA encontra é o dado mais desconfortável. Entre as falhas que o grupo conseguiu atribuir a descoberta por agentes automáticos, 58% eram de risco médio, contra 28% nas descobertas convencionais, e metade permitia executar código remotamente, contra 26% no restante do conjunto.

O mesmo relatório limita a conclusão

O próprio documento avisa que a contagem bruta engana. Políticas automáticas de registro de falhas em projetos de código aberto inflaram a base, e o exemplo está no próprio texto. Só descrições que mencionam o núcleo do Linux geraram cerca de 5 mil registros entre janeiro e agosto, sem nenhuma falha explorada de verdade. Do total divulgado em 2026, 0,23% foi visto em uso por atacantes, perto de uma em cada 431. A atribuição à IA também é aproximada, porque os registros públicos não têm campo que diga como a falha foi encontrada.

O que o relatório mede, em resumo, é software comum quebrado mais rápido do que as equipes conseguem corrigir. Não é a matemática por trás das assinaturas digitais cedendo.

O roubo não passou por uma conta quebrada

O caso da Binance separa as duas coisas. A corretora afirmou que a chave privada da carteira não foi exposta. O que a Blockaid reconstruiu foi um lote de 50 autorizações em que o equipamento que guarda a chave liberou uma operação que não deveria, e o invasor nunca precisou ter essa chave em mãos. A apuração sobre o que saiu da carteira está nesta reportagem.

Nenhum algoritmo foi quebrado ali. O dinheiro saiu por uma falha no processo de aprovação, que é exatamente o tipo de defeito que agentes automáticos encontram mais rápido do que uma equipe humana consegue corrigir. A defesa que funcionou no episódio também não foi criptográfica. Cerca de US$ 2,85 bilhões foram congelados por emissores de stablecoin e empresas de análise, com apoio de autoridades. O que travou esse dinheiro foi a possibilidade de bloquear o token na rede, uma operação que não depende do algoritmo que assina a transação.

O que sobra para quem guarda moeda

Para quem tem cripto em carteira própria, a conclusão prática do aviso é modesta e não depende de trocar de rede. O que a medição de setembro descreve é um volume grande de defeitos em firmware, aplicativos e servidores, justamente a superfície que a IA varre mais rápido. Carteira de hardware com atualização atrasada, aplicativo instalado de fonte duvidosa e assinatura aprovada sem leitura são as condições que o ataque aproveitou.

Ben-Sasson está certo em uma coisa que os números sustentam. A pressão chega antes do computador quântico. Só que ela não está do lado da criptografia que ele vende. Está no código em volta dela.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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