Mercado Crypto

Bitcoin, ouro e petróleo se divergem sob tensões EUA-Irã

O bitcoin voltou a cruzar US$ 64.000 na segunda-feira com ganho de mais de 2% no dia, revertendo a queda da semana anterior.

A recuperação aconteceu no mesmo intervalo em que o ouro atingiu novo recorde e o petróleo manteve travado perto de US$ 82 por barril, mesmo com as tensões entre Estados Unidos e Irã ganhando novo capítulo. O movimento dos três ativos desenhou um quadro de divergência que resume o momento do mercado.

Enquanto o bitcoin retomava o patamar de US$ 64 mil, as ações dos EUA recuavam. O S&P 500 caiu 0,5% em relação à máxima de quinta-feira, arrastado pelo vencimento do cessar-fogo de 60 dias entre Washington e Teerã. A retórica de Trump contra Oman reacendeu o risco de escalada na região, mas o mercado de ações reagiu mais ao vencimento do cessar-fogo do que à ameaça em si.

O petróleo não reagiu. O WTI ficou flat em US$ 82,35 por barril.

O ouro subiu mais de 1% e alcançou US$ 4.427 por onça. Entradas em ETFs de ouro chegaram a quase US$ 12 bilhões até 13 de agosto, segundo a Bytetree. O estrategista do Bank of America Michael Hartnett classificou a aposta no ouro como a melhor proteção contra desvalorização do dólar, colapso de títulos e inflação de ativos no cenário atual de geopolítica e fiscal.

Para o bitcoin, o dado mais relevante veio dos derivativos. As taxas de funding atingiram 0,022 em 14 de agosto, o nível mais alto em 20 meses, segundo a CryptoQuant. A maioria dos traders está comprada. Em uma volatilidade repentina, a liquidação de longs pode acelerar a queda.

Derivativos no centro da atenção

A QCP Capital, em boletim divulgado na segunda-feira, evitou fazer chamada de direção. A empresa argumentou que observar se o bitcoin se sustenta acima ou cai da faixa atual de negociação diz mais do que qualquer leitura isolada de preço. Se o BTC voltar a testar US$ 61.000, a expectativa é de desalavancagem forçada, com posições compradas sendo encerradas em cascata.

Enquanto isso, o ouro segue acumulando valor com demanda tanto de investidores individuais quanto de governos centrais. A combinação de juros altos, geopolítica instável e incerteza fiscal nos EUA mantém o metal precioso como ativo de refúgio por excelência.

O bitcoin tenta assumir o mesmo papel, mas a volatilidade dos derivativos o coloca em posição diferente. A semana que começa vai testar a sustentabilidade desses fluxos. Com o cessar-fogo expirando e o mercado de petróleo ignorando a retórica de Trump, a divergência entre ativos pode se aprofundar ou se resolver em favor de um deles.

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