DeFi

Um em cada cinco dólares da Safe está em DeFi, com US$ 2,37 bilhões de empréstimos em aberto

A Safe informou nesta sexta-feira que US$ 12,4 bilhões guardados nas suas contas inteligentes estão aplicados em protocolos de finanças descentralizadas. O número é líquido, já descontados US$ 2,37 bilhões em empréstimos tomados por quem usa essas contas, e representa pouco mais de um quinto dos US$ 57,64 bilhões que a fundação contabiliza no fim de setembro.

Chamadas de contas inteligentes, elas são contratos que só executam uma transferência depois de reunir as aprovações definidas por quem as criou. O formato nasceu no Gnosis Safe, hoje usado por tesourarias de organizações, fundos e empresas que não entregam a chave a uma pessoa só, e no fim de setembro eram 65,7 milhões dessas contas, espalhadas por mais de 400 redes.

Quem guarda um ativo em uma dessas contas pode usá-lo como garantia para tomar emprestado outro ativo, e é nesse ponto que o desdobramento divulgado agora muda a leitura do total. Os US$ 12,4 bilhões resultam de US$ 14,77 bilhões em posições abertas depois do desconto de US$ 2,37 bilhões devidos aos protocolos. A exposição bruta, sem o desconto, é 19% maior do que a cifra líquida.

O salto de 111,6% tem duas explicações no próprio relatório

O total passou de US$ 27,24 bilhões no fechamento de junho para US$ 57,64 bilhões em setembro, alta de 111,6%. O documento atribui o movimento ao ether, que subiu 66% no trimestre e reajusta em dólar tudo o que já estava guardado. A segunda parte vem da inclusão das posições em DeFi, que existiam em junho e ficaram fora daquele número.

A base de contas cresceu bem menos que isso. Foram 2,32 milhões de contas abertas no trimestre, 3,7% mais do que em junho, com 1,79 milhão delas na Base. O volume transferido chegou a US$ 44,75 bilhões, alta de 13,7%.

As stablecoins guardadas nas contas chegaram a US$ 7,48 bilhões, perto de um dólar em cada 42 em circulação no mundo. A receita do projeto ficou em US$ 1,85 milhão no trimestre e US$ 6,71 milhões nos nove primeiros meses do ano, 40% acima do mesmo período de 2025. O relatório avisa que os números não são auditados, saem de dados da rede e de fontes externas que a fundação não conferiu por conta própria, e que a mudança de escopo impede comparação direta com os trimestres anteriores.

A cotação do ether já virou contra

O ether fechou setembro a US$ 2.677 e estava a US$ 2.229 por volta das 12h50 desta sexta-feira, recuo de 16,7% em pouco mais de um mês, na cotação da CoinGecko. Como o relatório mede um estoque em dólar, a mesma variação de preço que empurrou o total para cima agora empurra para baixo. Mantida a cotação de hoje, o balanço de dezembro registra queda no valor das contas sem que nenhum cliente tenha retirado um centavo.

A fatia em DeFi entra pelo lado do risco

Posição aplicada é posição exposta. Em setembro, uma carteira Safe perdeu US$ 7,8 milhões em rsETH quando um módulo externo autorizado pelo próprio dono da conta foi usado para desviar os fundos. O contrato principal do Safe não foi comprometido no episódio, nem em outros dois ataques do ano que seguiram o mesmo caminho.

A empresa tenta fechar esse ponto com a Safenet, rede que confere transações antes da assinatura. No trimestre, 73,5 milhões de SAFE estavam depositados como garantia por 884 endereços, alta de 34% sobre junho, e a versão beta conferiu 460.146 transações, 915.792 desde o lançamento em abril. Na divisão por rede, 80,5% das checagens rodaram na Ethereum, 17,4% na Arbitrum e 2,1% na Optimism. O contrato que aplica as regras direto na conta passou por verificação formal em setembro. As checagens entraram na carteira Safe no dia 21 de outubro, e a aplicação dentro da própria conta ficou para uma versão posterior.

Quanto dos US$ 57,64 bilhões veio de dinheiro novo e quanto veio do preço do ether é a divisão que o próximo balanço terá de fazer. O relatório de setembro não traz essa conta. Com o ether em queda, o de dezembro tende a expor a diferença.

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