Macro

O dólar sobe 12,2% e a B3 interrompe negociações duas vezes na manhã

Lula foi reeleito no domingo, e o mercado brasileiro passou a manhã desta segunda-feira refazendo as contas. O dólar comercial abriu em alta de 8,65%, a R$ 5,42, teve as negociações interrompidas pelo circuit breaker e, na volta, pouco antes das 10h, chegou a R$ 5,60, alta de 12,2% sobre o fechamento de sexta. O Ibovespa futuro caiu 15% assim que começou a ser negociado, às 9h, parou por meia hora e, na reabertura, despencou 19,85%, aos 166.790 pontos.

Lula terminou a apuração com 51,79% dos votos válidos, 64.256.232 votos, contra 48,21% e 59.826.041 votos de Flávio Bolsonaro. A vantagem final de 4,4 milhões de votos contrariou as pesquisas da véspera, que apontavam empate técnico com pequena vantagem numérica do senador.

Flávio disse que é impossível reconhecer o resultado e anunciou que vai pedir a anulação do pleito no TSE. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, afirmou ter "absoluta segurança de todo o processo eleitoral".

O que o mercado tinha na conta

Desde o primeiro turno, em 4 de outubro, quando Flávio ficou à frente com 47,03% contra 45,16% de Lula, boa parte dos investidores passou a operar a chance de troca de governo. O Ibovespa fechou o pregão seguinte aos 206.911,89 pontos, alta de 7,70% e a primeira vez que o índice terminou o dia acima dos 200 mil pontos.

No mesmo dia, o dólar recuou para R$ 5,001. Na sexta, véspera da votação, o índice encerrou aos 205.082,56 pontos e a moeda, a R$ 4,9896.

As pesquisas da reta final sustentavam essa posição. Datafolha e Quaest de 24 de outubro davam 51% a 49% para Flávio, dentro da margem de erro. Leonardo Mendes, economista da Manchester Investimentos, contou 13 levantamentos e encontrou vantagem média de 2,4 pontos para o senador.

A madrugada já tinha avisado

O primeiro preço a se mover foi o do contrato futuro de real em Chicago. Na cotação das 3h38 de Brasília, o vencimento de novembro recuava 10,09%, o equivalente a um dólar de R$ 5,56. O papel de dezembro perdia 9,79% e, no pico da noite, a cotação implícita tocou R$ 5,68.

As ações brasileiras negociadas fora do país acompanharam. O EWZ, fundo que reúne os principais papéis da bolsa em Nova York, caía 26% no pré-mercado, a US$ 31,30. Em Tóquio, o fundo que replica o Ibovespa recuou 15%, a maior perda diária desde 2008. Os recibos negociados nos Estados Unidos mostravam a XP em queda de 45%, o Bradesco, de 27%, o Itaú, de 26,6%, a Petrobras, de 22% e o Nubank, de 19,4%. Vale e Embraer perdiam menos de 4%.

Duas paradas e os limites ampliados

A B3 passou a manhã ampliando limites para manter o pregão funcionando. Antes da abertura, elevou o gatilho do índice futuro de 10% para 15%. O contrato bateu o novo limite às 9h e a bolsa interrompeu as negociações por 30 minutos. Na reabertura a queda passou de 19% e houve nova parada. O limite subiu outra vez, para 20%, válido só nesta segunda-feira. No câmbio, o gatilho dos contratos de dólar foi de 6% para 8,4% e depois para 12%.

O Ibovespa à vista, que abre às 10h, tinha o primeiro gatilho de parada em 184.574,30 pontos. O mecanismo não parava a bolsa desde março de 2020, quando o mercado reagia ao início da pandemia. Nos juros, o contrato longo saltou 182 pontos-base e as oscilações acionaram o mecanismo também nos contratos privados.

O Tesouro desmarcou as vendas de NTN-B e de papéis prefixados previstas para terça e quinta-feira e manteve o leilão de LFTs de terça.

O que os gestores querem ouvir agora

Bruno Funchal, que comanda a Bradesco Asset Management, com R$ 1,1 trilhão sob gestão, disse que o dia seria duro e que o mercado reprecificaria tudo o que a campanha prometeu. "Todo mundo foi pego de surpresa", afirmou. Felipe Balassiano, chefe de multimercados da ASA, projeta volatilidade até que o novo governo sinalize firmeza com as contas públicas.

A pesquisa do Citigroup com 73 gestores, feita antes da votação, mostrava o tamanho do ajuste que o mercado esperava. Para 80% deles, a vitória de Lula derrubaria o Ibovespa em mais de 5% nesta segunda-feira. No câmbio, 63% esperavam queda superior a 5% do real. Nos juros, 67% previam alta de mais de 100 pontos-base no DI de janeiro de 2029, que estava em 12,645%.

Um relatório do Goldman Sachs assinado por Alberto Ramos e Panteleymon Semka avalia que Lula terá pela frente um Congresso de maioria conservadora e um capital político limitado, por não poder disputar a reeleição em 2030. A direção dos ativos deve passar a depender das declarações sobre política econômica e da escolha do ministro da Fazenda.

Na Suno Research, o economista-chefe Gustavo Sung projeta o dólar na casa dos R$ 5,40 ao longo de 2027. O J.P. Morgan reduziu nesta manhã a recomendação para o real e para os juros brasileiros, que passaram de compra para neutra, por ver pouca chance de mudança na política econômica durante o quarto mandato. Às 10h20, o dólar era negociado a R$ 5,60 e o índice futuro seguia perto do limite de baixa.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *