A Binance listou 227 futuros em 2026, e a maioria não é de cripto
A Binance abriu 227 pares novos de futuros em 2026 até esta terça-feira, oito abaixo do recorde de 235 do ano passado, segundo a contagem do analista Maartunn. O que muda o sentido do número é a composição. Na conta dele, cerca de 70% das listagens do ano estão ligadas a ações, ETFs, commodities e câmbio, e o restante a moedas digitais.
As duas últimas levas mostram o tamanho da virada. Na quarta-feira passada entraram contratos de Constellation Energy, Bank of America, Interactive Brokers e Medtronic. Na segunda, foi a vez de um ETF que segue ações indonésias, o iShares MSCI Indonesia, e das ações de EQT, STMicroelectronics e AbbVie. Todos rodam 24 horas por dia, aceitam alavancagem de até 20 vezes e liquidam em USDT.
A linha começou em janeiro, com contratos de ouro e prata, e migrou para ações ao longo do ano. O avanço chama atenção porque acontece com o bitcoin a US$ 79,8 mil, 36,7% abaixo do recorde de US$ 126.080, de outubro do ano passado.
O esforço de listagem mudou de lado
Os números da própria exchange mostram a troca de prioridade. A Binance Research registrou que os perpétuos de ativos tradicionais saíram de um patamar perto de zero no começo do ano e chegaram a 40% de tudo o que a plataforma movimenta em futuros nos primeiros dias de agosto, com recuo para 20% no fim daquele mês. No meio de agosto, o giro da categoria tinha recuado para US$ 93 bilhões, contra US$ 145 bilhões na primeira semana daquele mês.
Na semana de 20 a 26 de outubro, o rastreador PerpEquities calculou US$ 44,9 bilhões em volume de perpétuos de ações, ETFs, commodities e índices na Binance, 42% do que os 29 mercados acompanhados movimentaram no período. A posição aberta somava US$ 2,56 bilhões. Na divisão por classe, ações respondem por 59% do volume, commodities por 29% e ETFs por 9%.
O pregão que nunca fecha tem horário próprio
A promessa do produto é operar a qualquer hora, e o fim de semana é onde essa diferença pesa de verdade. Nos 29 mercados que o rastreador acompanha, o volume somou US$ 20,1 bilhões na sexta-feira, caiu para US$ 3,4 bilhões no sábado e US$ 3,6 bilhões no domingo, e voltou a US$ 17,8 bilhões na segunda.
O recuo segue o calendário do mercado que o contrato copia. O pregão regular americano ocupa 19,3% da semana e concentra 89,2% do volume, nos cálculos da Binance Research. Sem a bolsa aberta, não há preço novo do papel que o contrato segue, e a referência passa a sair de uma média das ordens abertas na própria plataforma. Esta matéria explica como a Binance forma o preço de um perpétuo quando o mercado que ele copia está parado.
A janela, ainda assim, ganhou peso. O volume dos perpétuos tradicionais nos fins de semana passou de perto de US$ 5 bilhões no começo do ano para US$ 53 bilhões em agosto, na contagem da Binance Research, e chega a 40% do movimento de um dia útil em semanas com notícia forte, quando o preço se forma antes de a bolsa reabrir.
O Brasil fica de fora justamente dessa parte
A expansão acontece na semana em que a Binance arruma a casa no Brasil. Nesta terça-feira, oito serviços saem do ar para clientes do país, e no dia 29 a rotina de comprar, vender e converter cripto passa para companhias brasileiras do grupo, como mostrou esta reportagem. O derivativo ficou fora do pacote. Vender futuros a quem mora no Brasil esbarra na legislação local e na leitura que os reguladores fazem dela.
Sobra uma saída. Para seguir operando futuros, o cliente brasileiro precisa manter uma conta à parte com a subsidiária da exchange nos Emirados Árabes, decisão que toma por conta própria e que fica fora do alcance dos supervisores brasileiros. O imposto muda junto. O ganho passa a ser declarado uma vez por ano, a 15%, pela Lei 14.754, sem os R$ 35 mil mensais de isenção que uma corretora nacional oferece.
O brasileiro fica de fora do produto que mais cresce. O contrato de dólar contra o real, listado em setembro, faz parte dessa mesma família de perpétuos tradicionais. Na semana de 20 a 26 de outubro, o volume do USDBRL nos mercados acompanhados pelo PerpEquities subiu 2.800% frente à semana anterior, na mesma semana em que o dólar disparou depois da eleição.
No sentido oposto, a Binance estuda vender ações de outros mercados a quem já opera na plataforma. Em 15 de outubro, o co-presidente executivo Richard Teng disse que a exchange avalia ampliar o acesso a papéis de Hong Kong, Coreia do Sul, Taiwan e Brasil, atendendo a usuários que pedem para operar essas ações dentro da corretora.
Faltam dois meses para 2026 terminar e a contagem de novos futuros está a oito pares do recorde de 235 do ano passado.
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