Macro

A parte sem IA do S&P 500 ganha o mês por 6,4 pontos, um recorde

Um índice que copia a carteira do S&P 500 e tira dela as empresas de inteligência artificial está rendendo 6,4 pontos mais que o índice cheio em outubro. É a maior diferença mensal da série, acima do recorde anterior, de 3,6 pontos, registrado em julho. Faltam três sessões para o mês fechar, e o resultado depende de dois eventos desta quarta-feira.

A virada foi rápida. Em setembro, as ações sem IA ficaram 5,1 pontos atrás do índice. Quase toda a vantagem de outubro se formou nas últimas três semanas, período em que chegou a 7,4 pontos, o maior intervalo de três semanas da série compilada pelo perfil Kobeissi Letter. No ano, a metade sem IA ganhou quatro meses e o índice cheio, seis.

A explicação é aritmética. Companhias de tecnologia e de IA somam quase 45% do peso do S&P 500, e esse bloco passou a empurrar o índice para baixo neste mês, depois de anos puxando para cima. A concentração já era o alerta de outubro. Só as sete maiores companhias respondiam por 35% de todo o valor do índice e viraram o que o mercado chama de Magnífico 700. Quando essas ações caem, o índice cai junto, e o retrato mais fiel do resto da economia americana é justamente o que sobra fora delas.

O dinheiro foi para o lado chato

O giro começou pelos chips. O índice Philadelphia de semicondutores caiu em oito sessões seguidas até 16 de outubro, a maior sequência desde outubro de 2008, e perdeu 15,7% no período. Mesmo com o tombo, ainda subia 51,5% desde janeiro, nos números de 22 de outubro, o que mostra o quanto o setor havia avançado antes.

O dinheiro que saiu dos chips foi para o consumo básico, para a saúde e para a energia, grupos que ganharam de 7% a 10% em outubro. A energia conta com o petróleo caro da guerra contra o Irã. Dentro da tecnologia, o grupo que mais subiu foi o de software, com a ação mediana avançando 4,2% no mês. É o oposto do que o mercado projetava no começo do ano, quando a avaliação corrente era que a IA tornaria o software obsoleto.

O gatilho foi o custo do dinheiro. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, divulgado em 14 de outubro, veio mais quente que o esperado e reacendeu a aposta em nova alta de juros. O Fed já havia subido a taxa em setembro, a primeira alta desde 2023, e levou a faixa para 3,75% a 4% ao ano. Juro mais alto encarece a dívida que financia data centers, e as empresas de IA investem justamente com dívida.

Os balanços deram a medida do problema. A Meta gastou US$ 34,9 bilhões em investimentos no trimestre, mais do que os US$ 32,8 bilhões que gerou de caixa na operação, e ficou com caixa livre negativo pela primeira vez em mais de dez anos. As ações caíram cerca de 7% na quinta-feira, quando a companhia detalhou os gastos adicionais e a emissão de papéis. A Alphabet também fechou o trimestre anterior no vermelho nesse item, e as projeções do mercado apontam caixa livre negativo até meados de 2028.

Os dois testes de hoje

Nesta quarta-feira, o Fed anuncia a decisão de juros às 15h de Brasília. O mercado trabalha com 90% de probabilidade de manutenção. O que interessa de verdade é o recado sobre dezembro, quando os futuros apontam 75% de probabilidade de nova alta.

Depois do fechamento, Microsoft e Alphabet divulgam os balanços do terceiro trimestre, e a Amazon reporta na quinta-feira. As três planejam gastar até US$ 600 bilhões neste ano. O analista Mark Mahaney, da Evercore, calcula que os números desta semana podem elevar o investimento combinado das grandes empresas em até US$ 100 bilhões. O mercado quer saber se esse gasto continua subindo ou se começa a parar.

O recorde tem um detalhe que o número de outubro esconde. Até o dia 22, o índice sem IA criado pelo Goldman Sachs subia 12,4% no ano, contra 12% do S&P 500. Ou seja, a vantagem mensal apenas devolveu ao investidor o que ele havia perdido nos meses anteriores. E metade das ações americanas está em mercado baixista, 20% ou mais abaixo do topo, enquanto o índice cheio segue a 1,2% do recorde de 6 de outubro.

Na terça-feira, o S&P 500 fechou a 7.722 pontos e o Philadelphia de semicondutores subiu 3,6%, no terceiro dia seguido de recuperação dos chips. O recorde de outubro depende das três sessões que faltam, e os dois testes que mais pesam acontecem hoje.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *