A conta do ataque quântico ao bitcoin caiu para 30 mil qubits e uma hora
Uma máquina de 29.588 qubits físicos conseguiria, em tese, forjar a assinatura que autoriza o gasto de bitcoins em 61,8 minutos. A estimativa é da Alice & Bob, que fabrica computadores quânticos e tem sede em Paris e em Boston. O resultado saiu nesta quinta-feira, com o artigo que o sustenta. O número, segundo a empresa, é uma estimativa de recursos. Nenhuma máquina em operação hoje chega perto de rodar essa conta, e os autores escrevem que o resultado não demonstra um ataque real.
A assinatura é o que prova que a moeda é de quem está gastando. Quem chega à chave privada a partir da chave pública assina no lugar do dono e move o saldo.
A comparação que interessa ao bitcoin é com o relógio. Um bloco sai a cada dez minutos, em média. A conta leva seis vezes esse tempo. Uma transação ainda pendente não fica ao alcance de um ataque desse tamanho, e a Alice & Bob registra essa ressalva no próprio material.
Quem já mostrou a chave não tem corrida para perder
O problema aparece nas moedas que já expuseram a chave pública no registro da rede. Para elas não existe transação em andamento a proteger, e o atacante tem todo o tempo do mundo. Um levantamento da Approx Foundation divulgado em 8 de outubro, no bloco 950.000, contou 6.900.573 bitcoins nessa condição, o equivalente a 34,45% de tudo que circula.
O número assusta menos quando aberto. Desse total, 3.331.639 bitcoins estão em carteiras ativas com pelo menos 1 bitcoin, em boa parte de corretoras, custodiantes e empresas que acompanham o assunto e podem trocar de endereço antes de qualquer ameaça virar prática. Outros 2.277.978 estão em endereços que nunca gastaram ou que não se movem há anos, reunidos em 73.658 grupos. É aí que o problema fica sem solução simples.
O próprio levantamento faz a ressalva que costuma faltar nas manchetes sobre o tema. Exposição, ali, é uma condição criptográfica, medida pela chave que já apareceu na rede. O risco real depende de o dono conseguir reagir, de a carteira ter tamanho que pague o custo do ataque e de haver tempo para migrar.
A mesma conta já foi 126 mil qubits e nove horas
A queda é o ponto do anúncio. Em 2023, pesquisadores da Alice & Bob calcularam o mesmo problema de curva elíptica em nove horas com 126.133 qubits, e o artigo está público no arXiv. A conta nova usa 29.588 qubits e 61,8 minutos, o que dá um quarto das máquinas e um oitavo do tempo.
O ganho não vem de um avanço de hardware isolado. A empresa credita o resultado ao tipo de qubit que fabrica, a um código de correção de erros mais eficiente e a uma reorganização das etapas da própria conta. O artigo também traz a estimativa para o RSA-2048, o sistema que protege boa parte das conexões bancárias na internet, em 22.593 qubits e 3,14 dias.
Não é um movimento isolado. As estimativas de quanto hardware um ataque desses exige vêm caindo a cada novo estudo, e esta matéria mostrou em 22 de outubro como o setor chegou ao ponto de os próprios laboratórios discutirem o que publicar e o que segurar.
Trocar a assinatura não é atualizar um aplicativo
Para o bitcoin, o alívio é parcial por um motivo prático. Substituir o sistema de assinatura por uma versão resistente a computador quântico mexe em camadas que já estão em uso. As transações ficam maiores, as carteiras precisam acompanhar o formato novo, e as moedas paradas em endereços antigos não têm quem as mova.
Nenhuma migração resolve essa parte. Os 2,28 milhões de bitcoins em endereços sem dono ativo para assinar a mudança seguem expostos qualquer que seja o prazo que a indústria adote. A recomendação da Alice & Bob é que a migração para defesas pós-quânticas comece antes de a máquina existir.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.