No MetaMask, o endereço Stellar nasce com a carteira, mas a conta só existe depois do primeiro XLM
Quem abrir o MetaMask nesta quinta-feira vai encontrar um endereço novo na mesma conta que já usa. A Stellar passou a ser uma rede padrão do aplicativo e da extensão, em anúncio feito no Meridian, conferência da Stellar Development Foundation em Lisboa, e o endereço sai da mesma frase de recuperação que o usuário já tem. Nenhuma configuração, nenhum aplicativo extra.
O que aparece ali é um endereço. A conta, na Stellar, é outra coisa. A rede só reconhece um endereço depois que ele recebe no mínimo 1 XLM. Antes disso, o endereço não existe na rede, e uma transferência menor que isso simplesmente falha. É a primeira diferença entre ter a carteira e ter a conta.
Depois do primeiro depósito, a conta passa a manter um saldo mínimo travado, chamado de reserva. Esse valor não pode ser gasto enquanto a conta existir, e cresce 0,5 XLM a cada ativo que o usuário decide aceitar. O MetaMask mostra três números na tela, o saldo total, o disponível e o reservado, e só o disponível serve para pagar transação ou enviar dinheiro.
A reserva vem de uma regra da rede e vale para qualquer carteira que opere na Stellar. Cada ativo que não é XLM precisa de uma autorização prévia, chamada de trustline, para que a conta possa receber e guardar aquele ativo. Sem ela, a transferência é recusada e nada se perde. Com ela, 0,5 XLM ficam presos enquanto o ativo estiver ali.
O detalhe pega quem chega de outra rede. Uma troca entre redes não consegue criar a trustline no meio do caminho. Quem manda um ativo que não for XLM de outra blockchain para o endereço Stellar do MetaMask precisa ativar aquela trustline antes, manualmente, ou o dinheiro enviado se perde. O próprio MetaMask avisa e pede a ativação antes de confirmar a ponte, mas o aviso chega no meio de uma tela que o usuário está vendo pela primeira vez.
Essas regras vêm de 2014 e explicam o que a rede faz melhor. A Stellar liquida em cinco segundos e cobra frações de centavo por transação. Segundo a fundação, os pagamentos que passaram por ela chegaram a US$ 55,6 bilhões ao longo de 2025, alta de 52% sobre 2024, entre remessas, comércio e programas públicos. O Banco Mundial calcula que enviar US$ 200 para outro país custa, em média, 6,36% do valor, mais que o dobro da meta de 3% que as Nações Unidas perseguem.
A liquidez para esse tipo de operação também chegou nesta semana. A Curve estreou na Stellar na quinta-feira, na primeira integração nativa do protocolo fora das redes compatíveis com Ethereum, o que dá à rede um balcão onde ativos com o mesmo preço podem ser trocados.
Para o MetaMask, a Stellar é mais um passo de uma carteira que deixou de ser só Ethereum. A plataforma já tinha aberto contas multichain, somou Solana em 2025 e Bitcoin depois, e agora chega à rede de pagamentos. Gal Eldar, diretor de produto da empresa, disse que, para a maior parte do mundo, o lugar onde a pessoa nasce ainda decide qual dinheiro ela pode guardar, para onde pode enviar e quanto custa mover.
A Stellar também ganha o que não tinha. Até hoje, quem quisesse operar XLM dentro do MetaMask precisava de outra carteira. Agora o endereço está na conta que a pessoa já abre todos os dias, e quem já usa a rede pode importar a frase de recuperação de outra carteira para o MetaMask.
Se alguém vai usar, o anúncio não responde. Não veio número de contas ativadas, volume transferido nem trocas feitas desde o lançamento. No mercado, o XLM caía quase 5% nesta quinta-feira, para US$ 0,164, e a rede valia US$ 5,79 bilhões. A carteira chegou. A conta depende de um XLM que ninguém ganhou de graça.
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