Bitcoin

O mercado precificou seis meses de receita de mineração a US$ 33, e o bitcoin subiu dois dias depois

O número que decide se uma máquina de mineração continua ligada fechou a segunda-feira em US$ 32,86 por petahash por segundo de poder de computação ao dia. É o hashprice, a receita bruta que cada unidade de capacidade rende em 24 horas, e ele vinha 8,7% menor que uma semana antes, no levantamento semanal da Hashrate Index, a plataforma de dados da Luxor.

Na segunda-feira, a curva de contratos futuros da plataforma fechou a média de seis meses em US$ 33,04 por petahash por dia, para o período de novembro a abril de 2027. No começo da tarde desta quarta-feira, a cotação do bitcoin rondava US$ 80,3 mil, 4,6% acima dos US$ 76,7 mil daquela leitura, e a estimativa para o ajuste de dificuldade de 13 de novembro apontava corte de 3,15%. Contrato e mercado à vista passaram a apontar para lados opostos em 48 horas.

O avanço de dois dias apagou a queda de 3,5% da semana e colocou a cotação perto do nível em que ela estava uma semana antes. Já o hashprice não voltou ao ponto de partida, porque carrega a dificuldade que subiu no meio do caminho.

O que a curva do futuro projetou

A curva embutia 1.056 exahashes por segundo em novembro, 1.059 em dezembro e 1.100 em março de 2027. Quando o mercado fechou essas posições, a média de sete dias da rede era de 1.062 EH/s. Em quatro meses, a projeção era de alta de 3,6% em uma rede cuja dificuldade subiu 16,4% desde 5 de setembro.

Esses números são preços de contrato transformados em poder de computação, com uma premissa de taxas de 0,02 BTC por bloco. Não medem hashrate observado nem antecipam um ajuste já agendado. As taxas rodaram em 0,0176 BTC por bloco nos últimos 122 blocos, perto da premissa usada pela plataforma.

O que o minerador assina e o que fica de fora

Não há máquina nem bitcoin no contrato. O minerador combina uma taxa fixa, uma quantidade de poder de computação e um período de vencimento. Na liquidação, a taxa combinada é comparada com o índice do dia. Se o índice ficar abaixo, ele recebe a diferença. Acima, paga. O acerto é em dinheiro, e o valor sai da multiplicação da diferença pela capacidade contratada.

Para quem tem energia contratada e máquina comprada, um número fixo por seis meses vale mais que um número mais alto que muda a cada hora. O que o contrato não cobre é o resto da conta. Preço do quilowatt-hora, máquina parada e capacidade que não se entrega ficam com o minerador, e nenhum desses riscos aparece no índice.

A queda de 8,7% tinha duas metades

Metade veio do preço. O bitcoin recuou 3,5% na semana, de US$ 79,5 mil para US$ 76,7 mil. A outra metade veio da rede. Medido em bitcoin, o hashprice caiu 5,1%, de 0,00044922 para 0,00042635 BTC por petahash por dia. Multiplicadas, as duas quedas dão os 8,7% em dólar.

Do lado da rede, foram três ajustes seguidos de alta. A dificuldade saiu de 127,45 trilhões em 5 de setembro para 132,76 trilhões em 19 de setembro, 140,58 trilhões em 16 de outubro e 148,36 trilhões em 29 de outubro, quando o último salto, de 5,54%, entrou em vigor. Os blocos passaram a sair a cada 10 minutos e 20 segundos, acima do alvo de dez minutos.

Bloco lento é o sinal que o protocolo usa para reduzir a dificuldade. A estimativa desta quarta aponta 3,15% de corte para 13 de novembro, o primeiro acima de 3% desde 11 de julho, quando a rede recuou 5%. Se o número se confirmar, cada petahash volta a render mais bitcoin com as mesmas máquinas.

A bolsa seguiu a segunda-feira

Das 18 mineradoras que a Hashrate Index acompanha, 17 caíram na semana, com mediana de 11% de perda. A Bitdeer recuou 15,1%, a IREN 13,1% e a CleanSpark 8,6%. Só a Soluna subiu, 11,5%. As ações seguiram o hashprice de segunda-feira. O bitcoin de quarta ainda não apareceu no preço.

Quem assinou a US$ 33,04 fixou a receita de seis meses em um patamar que o mercado à vista já supera, e devolve a diferença se o índice fechar acima. Sem contrato, o minerador carrega o preço do dia, que nesta quarta ficava perto de US$ 34 com a rede de segunda e o bitcoin a US$ 80,3 mil. O corte estimado para 13 de novembro mexe nas duas contas ao mesmo tempo.

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