O STRC encostou nos US$ 100, e a Strategy pode voltar a vender a 12% ao ano
A preferencial STRC da Strategy tocou US$ 100,00 na sessão desta quarta-feira, 4, e fechou a US$ 99,99, a um centavo do valor de face. Desde 14 de maio o papel não marcava esse nível, quando ainda era vendido pela empresa para financiar compras de bitcoin.
Nos quase seis meses entre uma data e outra, a série perdeu o par, fechou a US$ 74,57 em 26 de junho e passou a ser recomprada pela própria empresa, em um programa que já usou cerca de US$ 2,25 bilhões. Com o par de volta, muda o que a companhia pode fazer com esse papel.
A regra que trava a venda abaixo do par
O STRC é uma preferencial perpétua com valor de face de US$ 100 por ação, o número usado para calcular o dividendo. A taxa é variável e serve, na intenção declarada, para puxar a cotação de volta a esse nível. Enquanto o papel negocia abaixo dos US$ 100, a empresa segue uma política de não emitir novas ações da série, e o prospecto registra a intenção de vender entre US$ 99 e US$ 101. Restam US$ 17,5 bilhões autorizados para emissão, e nenhuma ação da série saiu ao mercado nas últimas semanas.
No segundo trimestre, a venda de STRC foi a maior fonte de captação da Strategy. A companhia levantou US$ 8,41 bilhões entre abril e junho, sendo US$ 5,46 bilhões com a série e US$ 2,95 bilhões com ações ordinárias. No ano até 26 de julho, a emissão de STRC somou US$ 7,53 bilhões. Cada US$ 100 do papel carrega um compromisso de US$ 12 por ano em dividendo pago em dinheiro.
A conta total está em US$ 981,9 milhões por ano, ou US$ 81,8 milhões por mês, pelos números que a empresa publica na apresentação para investidores. São 81,82 milhões de ações em circulação, o equivalente a US$ 8,18 bilhões de valor de face. Desde 1º de novembro, o pagamento é diário e cai em todo dia útil, como a matéria de segunda-feira mostrou.
O STRC não é dívida. Fica atrás dos credores e das subsidiárias na ordem de pagamento, e o dividendo só sai quando o conselho declara, embora o valor se acumule mesmo sem declaração. Não há seguro, garantia de liquidez nem promessa de devolução do principal.
De 9% a 12% em oito altas
A taxa atual não é a de lançamento. O STRC foi oferecido a US$ 90 em julho de 2025, com dividendo de 9% ao ano, e a empresa elevou a taxa oito vezes desde então. Chegou aos 12% em julho. A 9%, cada ação rendia US$ 9 por ano. Agora rende US$ 12.
Quem comprou no preço mais baixo pagou menos pelo mesmo dividendo. A US$ 74,57, os US$ 12 equivaliam a 16,1% ao ano. No fechamento desta quarta-feira, a US$ 99,99, a taxa efetiva fica em 12,01%.
A recompra correu em paralelo. Na semana encerrada em 1º de novembro, a Strategy gastou US$ 208,2 milhões para retirar 2.092.035 ações de circulação, a uma média de US$ 99,52, abaixo do valor de face. Comprar abaixo de US$ 100 retira de circulação cem dólares de capital preferencial e os US$ 12 de dividendo anual ligados a ele. Só nessa semana, a redução da conta chega a cerca de US$ 25 milhões por ano.
O desconto encolhe conforme o preço se aproxima do par. Em setembro, a média paga foi de US$ 97,36 por ação. Na semana passada, de US$ 99,52. A própria companhia escreveu no comunicado de resultados do segundo trimestre que compra mais quando o desconto é maior e reduz o ritmo perto dos US$ 100.
O que o par muda daqui para frente
Com o preço no valor de face, a recompra perde o sentido econômico que tinha. Restam US$ 748,6 milhões no programa de US$ 3 bilhões, criado para comprar o papel com desconto. A emissão volta a ser a operação que traz dinheiro.
O prospecto também descreve a intenção contrária à que vigorou até aqui. Se o papel passar a negociar acima de US$ 100, a empresa tende a reduzir a taxa para trazer a cotação de volta. A queda não é livre. O contrato limita o corte a 25 pontos-base por mês e proíbe a taxa de cair abaixo de uma referência de juro de curtíssimo prazo, o SOFR de um mês, além de barrar a redução enquanto houver dividendo acumulado e não pago.
Para dezembro, os 12% continuam valendo a menos que a companhia avise até 15 de novembro que decidiu mudar.
O pagamento diário segue a mesma lógica de precisão. Doze por cento ao ano sobre US$ 100 dão 3,3 centavos por dia, e a empresa ajusta os centavos de cada data para fechar US$ 1,00 no mês. Em novembro, dez dos 30 dias pagam US$ 0,04 e os outros 20 pagam US$ 0,03.
Os próximos formulários semanais vão mostrar se a venda de novas ações recomeça. Cada US$ 100 vendido a partir de agora acrescenta US$ 12 por ano à conta, que já é paga em espécie. O comunicado de 15 de outubro diz que a taxa de 12% deve ficar até o papel mostrar negociação sustentada e saudável perto dos US$ 100. Uma sessão não fecha essa conta.
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