Os futuros da Binance perderam US$ 480 milhões em valor e 51 BTC em posições
Perto das 12h45 de sexta, o bitcoin valia US$ 75,8 mil na Binance, 6,4% abaixo da máxima de US$ 81 mil registrada na noite de quarta. O grosso da queda aconteceu na quinta, quando o preço saiu de US$ 79,7 mil e perdeu 5,1% em uma hora, junto com o tombo do Nasdaq, como mostrou a reportagem sobre as liquidações daquele dia.
A redução de 1,88% nos contratos de futuros abertos foi o número que resumiu o dia nos derivativos, com US$ 52 bilhões no conjunto das corretoras. Dele se tirou a conclusão de fuga. Por trás do número, a conta sustenta outra, e ela aparece com clareza nas duas praças que concentram o volume.
Na Binance, o contrato de futuros sem data de vencimento tinha 96.611 BTC às 9h de quinta, antes de o preço ceder. Ao meio-dia desta sexta, tinha 96.560 BTC. São 51 BTC a menos em 27 horas. No mesmo intervalo, o valor em dólar dessas posições caiu de US$ 7,77 bilhões para US$ 7,29 bilhões, uma diferença de US$ 480 milhões.
A explicação está no preço. O bitcoin caiu perto de 5,7% no intervalo, e o mesmo conjunto de contratos passa a valer menos em dólar sem que ninguém tenha encerrado posição.
Na Bybit, o período terminou com mais contratos do que começou. Eram 67.857 BTC às 7h de quinta. O número chegou a cair para 67.437 BTC às 10h e marcava 70.102 BTC ao meio-dia desta sexta. São 3,3% mais posições abertas do que na manhã de quinta, quando o bitcoin valia US$ 80 mil.
Contrato fechado à força sai do livro das duas pontas ao mesmo tempo, e quem reabre depois costuma entrar com menos margem. O piso da Binance foi de 91.617 BTC às 13h de quinta, logo depois da queda. Em 23 horas, o número subiu 5,4%.
A aposta na alta continuou no lugar
O que a queda não levou foi a direção da aposta. Na Binance, 75,6% das contas com posição em bitcoin estão compradas, proporção de 3,1 contas compradas para cada conta vendida. A medição é de contas. O tamanho financeiro de cada uma não entra no cálculo, e o dado descreve sobretudo o investidor pessoa física que opera na corretora.
Quem carrega posição comprada com margem apertada procura proteção, e essa proteção tem mercado próprio. Na Deribit, que concentra a maior parte das opções de bitcoin, há 198.549 BTC em opções de compra abertas contra 137.491 BTC em opções de venda. Em dinheiro, US$ 15 bilhões contra US$ 10,4 bilhões.
A proteção se concentrou na faixa dos US$ 74 mil
As posições abertas seguem apontando para cima. Já o que foi negociado nos últimos dias aponta para baixo, e o preço escolhido mostra onde o risco está sendo levado a sério. A opção de venda de US$ 74 mil com vencimento em 13 de novembro movimentou 4.197 BTC, o maior volume entre as opções de venda, o equivalente a US$ 318 milhões pelo preço desta sexta. O contrato entra no dinheiro se o bitcoin cair 2,4%.
Para 27 de novembro, a concentração fica na mesma faixa. As opções de venda de US$ 74 mil, US$ 75 mil, US$ 69 mil e US$ 73 mil lideraram o giro, e a de US$ 69 mil só paga se a moeda cair 9%. Nenhuma delas tem preço de exercício acima de US$ 75 mil, faixa que o bitcoin só tocou nesta sexta, no piso de US$ 74.888.
A maior posição aberta vence em sete dias
A posição mais pesada da Deribit é uma opção de compra de US$ 81 mil com vencimento em 13 de novembro. São 8.170 BTC, cerca de US$ 619 milhões pelo preço desta sexta, e ela precisa de alta de 6,9% em sete dias para valer alguma coisa no vencimento.
Dezembro tem as duas pontas com peso parecido. A opção de compra de US$ 80 mil soma 8.157 BTC, a de US$ 100 mil tem 6.737 BTC e a de venda de US$ 60 mil tem 6.667 BTC. No vencimento de 27 de novembro, o ponto em que o conjunto das opções paga o menor valor aos compradores fica em US$ 80 mil, 5,5% acima do preço atual.
O piso da sexta ficou em US$ 74.888, e o bitcoin voltou para perto de US$ 75,8 mil. Na próxima sexta-feira, às 5h de Brasília, o vencimento de 13 de novembro encerra 32.399 BTC em contratos abertos, sendo 19.334 BTC em opções de compra e 13.065 BTC em opções de venda.
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