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Para Dimon, o ouro em Nova York é protegido por um exército. A gestora do JPMorgan prevê que o bitcoin renda mais

Jamie Dimon tinha uma resposta pronta para quem tira ouro dos cofres de Nova York. Durante uma palestra em Chicago, no dia 14 deste mês, o CEO do JPMorgan Chase contou que autoridades de um país do Oriente Médio e de um país europeu lhe disseram que tinham levado o metal de volta para casa. "Sabe o que eu disse? Vocês têm três exércitos em um raio de 650 quilômetros que podem vir pegar o seu ouro."

A frase circulou nesta semana. Cinco dias depois da palestra, o banco dele publicou outra coisa sobre o mesmo assunto. O argumento por trás da frase é simples. O metal pesa, ocupa espaço e precisa de um cofre. Quem guarda o cofre tem poder sobre o que está dentro, e Dimon disse que o cofre mais seguro do mundo fica nos Estados Unidos, protegido pelo Atlântico, pelo Pacífico, pelas Forças Armadas e pelo estado de direito.

O que ele disse sobre a garantia

Ele falava sobre o dólar e sobre a tese de que a moeda americana perde espaço como reserva mundial. "Se tivermos as Forças Armadas mais fortes do mundo e a economia mais forte do mundo, seremos a moeda de reserva preeminente. São essas duas coisas", disse. E completou com o que, para ele, é a consequência lógica. "E, se não formos preeminentes no militar e na economia, você vai ver nosso status de reserva cair."

A frase carrega uma condição. As barras continuam em Nova York enquanto os Estados Unidos forem capazes de defendê-las e quiserem devolvê-las. Quem tirou as barras de lá não fez isso por capricho. A Alemanha repatriou 300 toneladas que estavam em Nova York entre 2013 e 2017, três anos antes do prazo que tinha combinado consigo mesma, e ainda mantém 1.236 toneladas no cofre do Federal Reserve de Nova York, cerca de 37% das suas 3.352 toneladas.

Em fevereiro deste ano, políticos e economistas alemães voltaram a pedir a retirada do que sobrou. O Bundesbank respondeu que não há plano de trazer o restante e que confia no Federal Reserve. A dúvida de quem guarda reserva fora de casa é essa, e ela não se resolve com mais concreto no cofre.

A outra conta, cinco dias depois

Em 19 de outubro, o braço de gestão de investimentos do JPMorgan publicou a 31ª edição das suas projeções de retorno para 10 a 15 anos. Pela primeira vez em três décadas de relatório, o bitcoin entrou nas tabelas. A projeção é de 10% ao ano de retorno composto. O ouro aparece com 5,5%. As ações americanas de grande porte, com 7,5%, e uma carteira clássica de 60% em ações e 40% em títulos, com 7%.

A diferença de 4,5 pontos ao ano vira distância em uma década. Com 10% ao ano, US$ 100 chegam a US$ 259. A 5,5% ao ano, os mesmos US$ 100 viram US$ 171. O relatório não inclui o bitcoin nas carteiras que sugere aos clientes, e o motivo aparece no mesmo quadro. A volatilidade anualizada estimada é de 55%, contra 17,2% do ouro, e o texto classifica o ativo como especulativo e como proteção contra expansão monetária.

Dimon não assina essa parte. O relatório é da área de pesquisas da gestora, que responde a uma pergunta diferente da que ele respondeu no palco. Um fala de onde guardar, o outro de quanto esperar de retorno. Sobre o cofre, o executivo descreveu o mundo como ele é. Quanto ao retorno, o número que ficou registrado é o dos analistas, e a ressalva é do tamanho da volatilidade.

O ouro continua sendo o ativo que só fica onde alguém pode defendê-lo. Já o bitcoin não depende de cofre nenhum e cobra a conta em oscilação. Na mesma semana, o banco de Dimon colocou um número em cada um, e o maior ficou com o ativo que não precisa de exército para existir.

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