A Nasdaq 100 perdeu US$ 2 trilhões em outubro, e a próxima semana traz eleição, balanços e petróleo caro
A Nasdaq 100, índice das cem maiores empresas do segmento de tecnologia nos Estados Unidos, terminou outubro com queda de 5,8% e mais de US$ 2 trilhões a menos em valor de mercado, com a pressão concentrada na última sessão. Na sexta-feira (30), a Nasdaq, na contagem de todas as empresas listadas, caiu 2,9%, o S&P 500 perdeu 1,8% e anotou o pior dia desde junho, e o Dow Jones fechou 1,1% abaixo. Foram três semanas seguidas de perdas para a bolsa americana.
Nos índices de volatilidade, que estimam o tamanho das oscilações das próximas semanas, o medo também subiu. O VIX, o cálculo feito sobre o S&P 500, avançou 12,9% na sexta e fechou em 19,42, depois de passar de 23 na parte mais tensa da sessão, o pior momento da medida desde abril. No recorte exclusivo da tecnologia, o índice terminou em 28,50, alta de 13,2% e mais de três pontos acima do fechamento de quinta.
O disparador do mês foi o mesmo das semanas anteriores. As grandes empresas de tecnologia elevaram mais uma vez as projeções de gasto com centros de dados de inteligência artificial, e o investidor começou a perguntar se tanta despesa vai virar receita no prazo que as próprias companhias prometeram. A suspeita pesou primeiro nos chips. O fundo que agrupa os fabricantes do setor acumula queda de 29% em relação ao topo recente, zona que os operadores já tratam como mercado de baixa. Já o resto da bolsa resistiu em pé, e o S&P 500 encerrou o mês a 3,1% da máxima histórica.
A eleição de terça e a semana cheia de balanços
A votação de terça-feira (3) define o controle das duas casas do Congresso e mexe com impostos, gasto público e regulação nos anos seguintes. O mercado já precifica o risco, mas em dose moderada. Nos contratos de opções sobre o S&P 500, o movimento embutido para a véspera do resultado chega a 1,2 vez o de um dia comum de bolsa, na medição da gestora Man Group, um prêmio dentro do padrão das eleições de meio de mandato anteriores.
Os balanços chegam em cima da política. A Apple, a maior das empresas que formalizaram balanço para a semana, apresenta os resultados na segunda à noite, junto com a Palantir. Na sequência vem a AMD, a de maior peso no setor de chips, com o balanço na terça, horas depois da apuração das urnas. Qualcomm e Arm fecham a leva principal na quarta. O relatório mensal de empregos dos Estados Unidos sai na sexta (6), o número que o Federal Reserve mais observa antes da reunião de dezembro.
O petróleo no maior nível em seis meses
Na mesma semana, o petróleo aparece com preço no alto. O WTI, o tipo negociado nos Estados Unidos, fechou a US$ 104,12 o barril na sexta, alta de 2,1% e maior cotação desde o fim de abril. Já o Brent, a referência internacional, encerrou a US$ 117,64. Somadas as oscilações do mês, os dois barris subiram 15,2% e 13,6%, respectivamente, e anotam a quarta alta mensal consecutiva.
O gatilho está no Golfo Pérsico. Dois navios-tanque foram atingidos no Estreito de Ormuz em menos de 24 horas. O serviço de segurança marítima da Marinha britânica classificou o ataque a um deles, com explosivos acoplados ao casco por uma lancha, como o primeiro dessa técnica a ser executado com êxito na rota desde o começo da guerra com o Irã, em fevereiro. Na semana passada, o Irã já tinha colocado aeroportos e oleodutos da região na lista de possíveis alvos.
A guerra segue em curso, e o próximo lance depende da urna. O mercado opera com a hipótese de que qualquer nova ofensiva americana contra o Irã só sai depois da votação. Mediadores do Catar desembarcaram em Teerã na sexta-feira para costurar a negociação, e Donald Trump disse esperar que a guerra acabe em breve. Se a escalada vencer o acordo, o barril sobe mais, e energia cara joga combustível na inflação, exatamente o tipo de problema que o Federal Reserve leva em conta antes de decidir juros em dezembro.
O gasto da IA e a pressão sobre o retorno
Meta, Alphabet e Amazon elevaram de novo as projeções de investimento em centros de dados, e a fatura do setor passa das centenas de bilhões de dólares por ano. Enquanto a receita não correr na mesma velocidade da despesa, a dúvida volta em cada balanço.
Uma parte crescente da expansão sai de dívida, e o crédito mais caro torna a conta da construção difícil de sustentar.
O aviso veio antes do fim da semana. A Intel caiu 28,6% na sexta, o pior pregão da ação desde 1974, depois de um balanço que projetou um trimestre fraco no mercado de computadores pessoais, rota explicada em detalhe pela matéria sobre a derrubada da Intel.
O registro histórico é o contrapeso do mês. Nas treze eleições de meio de mandato medidas pela corretora Schwab, o S&P 500 ficou mais alto em seis meses em todas as vezes, com ganho médio de 12,4%, e em três meses a alta ficou em 5,7%, com duas quedas no grupo. O caminho para repetir as estatísticas passa pela votação de terça, pelos balanços de Apple, AMD e Palantir, e pelo preço do barril, nessa ordem.
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