Bitcoin

A Galaxy declarou o fim da baixa do bitcoin e marcou o preço que desfaz a tese

O relatório da Galaxy Research, divulgado em 26 de outubro, afirma que a baixa do bitcoin terminou em junho. A cotação estava perto de US$ 80 mil quando o relatório saiu e não mudou de faixa desde então. O texto traz uma condição explícita. Um fechamento semanal abaixo da linha de 50 semanas, hoje em US$ 76.540, que não se recupere em até um mês, derruba a leitura da própria casa.

Quem assina é Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy. A conclusão, no original, é curta. A casa acredita que o fundo já passou, que a pressão vendedora diminuiu, que o argumento da desvalorização monetária ficou mais forte e que a multidão saiu do mercado. Em setembro, a Fidelity chegou a uma conclusão parecida por outro caminho, e a matéria daquele dia mostrou o raciocínio do analista Jurrien Timmer.

O que a Galaxy reuniu como prova

O primeiro bloco é técnico. O bitcoin perdeu a média de 50 semanas em novembro de 2025 e passou 44 semanas sem fechar acima dela. A retomada veio em setembro. A semana que terminou em 18 de outubro foi a quinta seguida com fechamento acima da linha. O piso das baixas anteriores, a média de 200 semanas, segurou o preço em junho, e o pior fechamento semanal ficou 4,7% abaixo dela.

O que o relatório acrescenta é a contagem. Desde 2011, a Galaxy contou 13 retomadas. Em quatro delas, a linha tinha sido perdida por 20 semanas ou mais. Nos quatro casos, o preço estava mais alto um ano depois, com ganhos entre 55% e 1.497%, e em nenhum deles o fechamento semanal chegou a ficar mais de 8,4% abaixo do nível da retomada. O ciclo atual cai nesse grupo.

As outras nove retomadas vieram de perdas mais curtas, e o resultado foi oposto. Em sete delas, o preço caiu mais de 25% em um ano. A Galaxy usa a duração do período abaixo da média como filtro. Quanto mais tempo o preço passou do lado errado da linha, melhor o histórico do ano seguinte.

A venda que secou

O segundo bloco trata de quem estava vendendo. Moedas paradas há cinco anos ou mais se moveram a uma média de 34 mil bitcoins por mês em 2026. No ano passado, foram 47 mil por mês, e em 2024, 67 mil. São 1,11 milhão de bitcoins dessa faixa etária que saíram do lugar desde outubro de 2024, e a Galaxy atribui boa parte dessa oferta a fundos de índice e a empresas de tesouraria.

Os ETFs de bitcoin negociados nos Estados Unidos compraram 87 mil bitcoins desde a mínima de junho, ainda segundo o relatório. No mesmo intervalo, as cotas caíram 11% do pico ao fundo, enquanto o preço perdeu 53%. A Galaxy também usa a dívida pública americana, de US$ 40,44 trilhões, como argumento para a tese de proteção contra a desvalorização do dinheiro.

O preço que desfaz a conta

O relatório escreve a condição com número. A média de 50 semanas roda em US$ 76.540, e um fechamento semanal abaixo disso, sem recuperação em até um mês, invalida a tese. O bitcoin era negociado a US$ 80.058 no meio da manhã desta terça-feira, 4,6% acima da linha.

Do lado do calendário, o mês joga contra. Outubro abriu em US$ 83.624, e o preço devolveu 4,3% até aqui, a caminho do segundo outubro seguido no vermelho. O anterior, o do recorde de US$ 126 mil, fechou com queda de 3,9%.

Nos fundos, a recuperação de segunda-feira foi estreita. Entraram US$ 110,3 milhões nos ETFs de bitcoin em 26 de outubro, e todo o valor veio do IBIT, da BlackRock. Os ETFs de ether perderam US$ 88,6 milhões no mesmo dia, e as saídas do mês passam de US$ 1,1 bilhão.

A Galaxy chama de acumulação o que o preço faz desde julho. O que o relatório não resolve é o calendário. Faltam quatro dias para outubro fechar, e a cotação está a 4,6% da linha que a própria Galaxy escolheu como divisor.

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