Bitcoin

O bitcoin moveu US$ 5,5 bilhões em uma semana e as taxas não chegaram a 1% da receita dos mineradores

A rede do bitcoin movimentou US$ 5,5 bilhões em transferências ao longo da semana passada, 26% mais que na semana anterior, enquanto as taxas pagas aos mineradores caíram 8,8%. O dado é da Glassnode, que ajusta o volume para não contar duas vezes a mesma moeda quando ela passa entre endereços do mesmo dono. Mais dinheiro atravessou a rede, e a receita de quem a mantém ligada não acompanhou.

A taxa do bitcoin não é uma comissão sobre o valor enviado. Ela compra espaço no bloco, e o preço desse espaço sai da fila de quem quer entrar. Com a fila curta, uma transferência de US$ 1 bilhão pode custar o mesmo que uma de US$ 100.

O bloco 973.400, o último fechado até o meio da manhã desta terça-feira, ocupou 99,9% do peso permitido, carregou 5.553 transações e arrecadou 0,0095 BTC em taxas, perto de US$ 760. A tarifa sugerida pelas carteiras neste momento é de 1 a 2 satoshis por unidade de peso, e a fila de espera tem 48,9 mil transações, o equivalente a cerca de 20 blocos.

Para quem envia, a conta é de centavos. Uma transação simples, de cerca de 140 bytes virtuais, sai por 140 a 280 satoshis com a tarifa atual, algo entre US$ 0,11 e US$ 0,22.

Do outro lado, o subsídio. Cada bloco paga 3,125 BTC novos, o que dá 450 BTC por dia, algo como US$ 36 milhões aos preços desta terça. As taxas somam perto de 2,3 BTC por dia, cerca de US$ 185 mil pela medição dos últimos 144 blocos. É pouco mais de meio por cento do que a rede distribui.

O retrato de um dia

A Pool BTC usou o dia 25 de outubro para mostrar o tamanho da diferença. Foram 158 blocos no período, com 494 BTC em subsídios, avaliados em US$ 39,5 milhões. As taxas somaram 1,88 BTC, ou US$ 150 mil, o que dá 0,38% da receita. Na medição de 11 de agosto, a fatia tinha sido de 0,69%, segundo a Glassnode. Em boa parte do último ano, ficou abaixo de 1%.

Os endereços ativos caíram 2,2% na semana, para 615,2 mil. Menos endereços movimentando mais dinheiro aponta para transferências maiores. Corretoras e custodiantes costumam juntar as saídas de vários clientes em um único pagamento, o que reduz o espaço ocupado no bloco e a taxa paga.

Por que a fila não aperta

A rede processa o que cabe em cada bloco, e o bloco tem um limite de peso fixo. Quando a demanda por espaço fica abaixo desse limite, a taxa cai até o piso de 1 satoshi por unidade de peso, o mínimo que os nós repassam adiante. É o que acontece agora. A fila tem 20,7 milhões de unidades de peso à espera, algo como 20 blocos de trabalho, e a tarifa mais rápida não passa de 2 satoshis.

A dificuldade ajuda a explicar o momento. O intervalo médio entre blocos está em 9 minutos e 24 segundos, abaixo do alvo de dez minutos, e o protocolo deve elevar a dificuldade em 6,46% no bloco 973.728, a 328 blocos do ajuste. Mais dificuldade com a mesma receita de taxas significa menos margem para quem opera com equipamento antigo.

O que o halving muda

Em 2028, o subsídio cai de 3,125 para 1,5625 BTC a cada bloco. O corte mexe em uma fatia pequena da oferta em circulação, mas bate direto na receita de quem minera, porque o subsídio ainda responde por quase tudo o que eles recebem.

Com as taxas em 0,38% da receita, elas precisariam crescer cerca de 130 vezes para compensar a metade do subsídio que desaparece. A receita diária de 2,3 BTC em taxas é a menor parte de uma conta de US$ 36 milhões por dia, e o que sobra ao minerador é preço mais alto ou custo menor.

Nas últimas 144 horas, cada bloco arrecadou em média 0,016 BTC em taxas, perto de US$ 1.290. O subsídio do mesmo bloco é de 3,125 BTC.

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