O bitcoin voltou aos US$ 80 mil e 62% das moedas compradas recentemente seguem no prejuízo
Na quarta-feira, bitcoin e ouro subiram no mesmo dia, alta que a casa acompanhou desde a madrugada, e a leitura que circulou no mercado foi a de que investidores voltaram a comprar proteção contra o dólar. Na manhã seguinte, o ouro seguiu em alta de 1,6%, a US$ 4.136 a onça, enquanto o bitcoin caía 1,1%, a US$ 79,6 mil, por volta das 11h. A separação de 24 horas resume o problema dessa leitura.
Os números de quarta justificam a confusão. Na madrugada, o bitcoin chegou a US$ 75.736, patamar que não aparecia desde meados de setembro, e fechou o dia a US$ 80.504 depois de tocar US$ 81.196, uma amplitude de 7,2%. O ouro teve a maior alta diária em três meses e terminou a US$ 4.073 a onça. No mesmo dia, o S&P 500 ganhou 1,6%, o Dow Jones subiu 3% e a taxa do papel de dez anos do Tesouro americano caiu de 4,95% para 4,89%.
A tese de proteção contra a moeda tem defensores com números. O Congressional Budget Office projeta déficit de US$ 1,9 trilhão em 2026 e de US$ 3,1 trilhões em 2036, com a dívida em mãos do público chegando a 120% do PIB. A correlação diária entre bitcoin e ouro nos últimos 90 dias ficou em 0,52, contra 0,24 na janela de 20 de fevereiro a 30 de junho. Com o Nasdaq 100, o número caiu para 0,39 no mesmo período de 90 dias.
A maior parte da alta veio de posições fechadas
Antes de qualquer tese, a sessão de quarta mostra o que aconteceu com as posições. Na Binance e na Bybit, as duas maiores praças de contratos futuros de bitcoin, o número de moedas em aberto caiu cerca de 4,6 mil entre as 11h e as 13h, justamente as duas horas em que o preço passou de US$ 79.316 para US$ 80.494. Perto do fechamento, são US$ 370 milhões em contratos encerrados.
Contrato em aberto cai quando o dono fecha a posição. Em uma alta como a de quarta, boa parte disso é quem estava vendido e precisou recomprar para encerrar a aposta. O relatório semanal da Glassnode publicado na quarta mostra que as apostas na queda se acumularam em níveis superiores ao preço atual, com o maior grupo perto de US$ 87 mil.
O dinheiro novo que entrou é uma fração do que saiu
Os ETFs de bitcoin à vista dos Estados Unidos devolveram US$ 1,157 bilhão nos três pregões anteriores, pela contagem da Farside Investors. Na quarta, entraram US$ 74,6 milhões, o equivalente a 6,4% do que havia saído. O saldo agregado esconde uma troca de mãos dentro do setor. A Fidelity captou US$ 236,7 milhões no FBTC, e a BlackRock perdeu US$ 201,2 milhões no IBIT no mesmo dia.
O preço em que a maioria comprou
Na medição da Glassnode, 38% do estoque comprado nos últimos cinco meses estava no lucro em 4 de novembro, contra 97,5% no começo de outubro. Os outros 62% foram comprados acima do preço atual, e esse grupo só realiza ganho quando o preço volta ao valor que pagou. O custo médio dele está em US$ 75,7 mil, enquanto o preço médio de toda a base ativa fica em US$ 77,7 mil.
Abaixo dos dois níveis, a média de 200 dias está em US$ 73,2 mil. A região entre US$ 73 mil e US$ 76 mil reúne o custo médio dos compradores recentes, a média longa e um grupo de liquidações de posições compradas. Um rompimento sustentado para baixo apontaria, na leitura da Glassnode, um período mais longo de acomodação. Para cima, a concentração de posições vendidas perto de US$ 87 mil tende a reforçar o movimento quando o preço se aproxima desse nível.
O teste chega na sexta
O relatório de emprego dos Estados Unidos referente a outubro sai na sexta-feira, às 10h30 no horário de Brasília. Se os números vierem acima do esperado, o juro do papel de dez anos tende a subir de novo, e uma das condições que ajudaram o ouro e o bitcoin na quarta desaparece.
A conta das últimas 24 horas termina com os dois ativos em pontos parecidos do ano e respostas diferentes ao mesmo dia. O bitcoin fechou quarta 3,9% mais alto e devolveu 1,1% na manhã seguinte. Já o ouro ganhou cerca de US$ 133 na quarta e continuou a subir nesta quinta. O bitcoin ainda está 36% abaixo do recorde de US$ 124.752 de outubro do ano passado, e o ouro, 22% abaixo do pico de US$ 5.318 de janeiro.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.