Bitcoin

Os 864 mil bitcoins que transformaram os US$ 85 mil em teto

Em 22 de novembro do ano passado, uma leva grande de bitcoins se movimentou na rede, em um dia de preço entre US$ 83,5 mil e US$ 85,6 mil. A Glassnode calcula que 864.520 dessas moedas, 4,3% de tudo que já foi minerado, tiveram o último preço registrado dentro do trecho dos US$ 84 mil aos US$ 85 mil. Onze meses depois, esse conjunto virou o teto que o bitcoin ainda não furou.

O preço rondava US$ 80 mil por volta das 10h desta quinta-feira, cerca de US$ 5 mil abaixo do piso da faixa. O boletim semanal da Glassnode, publicado nesta quinta, coloca essa faixa como a primeira barreira para qualquer recuperação. Pelos cálculos da empresa de análise, o bloco de moedas paradas ali vale hoje perto de US$ 69 bilhões.

A origem do volume é curiosa. Na leitura da Glassnode, a maior parte saiu de uma única carteira grande, que distribuiu as moedas entre endereços próprios. Transferência entre carteiras do mesmo dono não mexe no preço. O nível, no entanto, continuou valendo como referência para quem opera, porque foi ali que uma fatia grande da oferta mudou de dono pela última vez.

A faixa que segurou o preço e depois o derrubou

Nos dois meses seguintes, o mercado tratou o trecho como piso. O preço chegou a US$ 83,8 mil em 1º de dezembro e subiu. Voltou a US$ 84,4 mil em 18 de dezembro e subiu de novo.

Em 31 de janeiro, a tentativa de retomada parou em US$ 84,3 mil. O bitcoin fechou aquele dia em US$ 78,7 mil e, uma semana depois, bateu US$ 60 mil. A faixa passou a trabalhar do outro lado, agora como teto.

Desde o rompimento, o bitcoin fechou acima dela em cinco dias. Foram dois seguidos em setembro e três em outubro, nunca mais do que isso. As máximas do período, de US$ 87,4 mil em 21 de setembro e de US$ 87,2 mil em 2 de outubro, duraram horas e não se sustentaram até o fechamento.

Em 22 de outubro, a faixa já havia barrado cinco tentativas de alta em duas semanas, como esta matéria mostrou naquele dia, e a conta dessas tentativas apareceu nas liquidações.

Quem comprou acima dos US$ 85 mil quer o dinheiro de volta

O teto não vale apenas para as 864 mil moedas que se moveram em novembro. A Glassnode mede um grupo maior, o dos detentores de longo prazo, carteiras que não vendem há pelo menos 155 dias. Esse grupo carrega 4 milhões de bitcoins cujo último movimento aconteceu na faixa que vai dos US$ 85 mil aos US$ 118 mil, quase todos em 2025. Mais da metade das moedas desses investidores foi comprada por um valor superior ao que o bitcoin vale agora.

O problema está do lado de quem comprou caro. Quem pagou US$ 95 mil e vê o bitcoin a US$ 80 mil tem motivo para vender assim que o preço voltar ao que pagou, mesmo sem lucro nenhum. O indicador que a Glassnode usa para medir esse comportamento compara o preço da moeda que se move com o preço da última vez em que ela se moveu, e ele está em 0,99. Abaixo de 1, o grupo realiza perdas quando manda moedas para a rede.

Para a Glassnode, a faixa só deixa de ser teto se o preço fechar acima dela em vários dias seguidos. Uma sequência de fechamentos acima de US$ 85 mil devolveria ao trecho o papel de piso. Nos últimos onze meses, o máximo foram três dias.

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