Macro

Sete em cada dez ações do S&P 500 subiram na segunda, e o índice caiu

A Apple projetou para o trimestre que inclui o Natal uma margem bruta entre 45% e 46%, abaixo dos 47,9% do trimestre encerrado em setembro, e atribuiu o corte ao custo da memória. O balanço divulgado na noite desta segunda-feira, o primeiro sob o comando de John Ternus, trouxe receita recorde para um trimestre de setembro, US$ 114,5 bilhões, alta de 12% sobre um ano antes. Pouco antes das 10h desta terça-feira, a ação caía 3,8% no pré-mercado, perto de US$ 325.

Na teleconferência com analistas, Ternus afirmou que o preço pago pela memória não tem precedente e que a empresa espera gastar mais no trimestre que vem. A Apple já havia reajustado Macs e iPads no fim de junho e os iPhones em setembro, e os compromissos de compra de componentes subiram US$ 33 bilhões de junho a setembro. Se vai subir preço outra vez, a empresa não disse.

Para o índice, o corte pesa porque a Apple era, entre as grandes empresas de tecnologia, a única ainda perto da própria máxima. Na segunda-feira, estava 3,8% abaixo do pico de 12 meses, enquanto Alphabet recuava 31,7% desde o seu, Meta 22,2%, Nvidia 17% e Oracle 53,3%.

A sessão em que o índice e as ações divergiram

O S&P 500 fechou a segunda-feira em queda de 0,5%. Entre as 502 ações do índice que tiveram negociação no dia, 346 terminaram em alta, 69% do total. O número resume o movimento que começou em outubro, quando o dinheiro deixou os chips e as empresas de inteligência artificial e foi para o resto da bolsa, como o site mostrou naquele mês.

Medida pela máxima dos últimos 12 meses, a distância de cada papel até o próprio topo é maior que a do índice. Das 503 companhias do S&P 500, 167 estão 20% ou mais abaixo desse pico, e a mediana caiu 12,8%. No fechamento de segunda, o índice estava 3,5% abaixo do recorde de 6 de outubro, e a Nasdaq 100 entrou em correção, 10,4% abaixo do topo daquele dia.

A conta muda com a régua usada. Um levantamento que mede a distância até a máxima histórica de cada empresa, compilado pelo perfil Kobeissi Letter, chega a mais de 60% das companhias 20% abaixo do topo. Pela máxima de 12 meses, são 33%.

A memória já tinha derrubado a Intel em três sessões

O aperto que agora aparece na margem da Apple atingiu a Intel na semana passada. A ação caiu 28,6% na sexta-feira, dia seguinte ao balanço em que a empresa projetou margem bruta de 38% para o trimestre atual, e recuou outros 8,8% na segunda. São 37,2% em três sessões e 57,4% abaixo do recorde de junho. O caminho da escassez de memória até o preço do computador está nesta matéria.

A Oracle caiu 8,8% na segunda ao captar os US$ 20 bilhões que havia prometido levantar até 2030. Foram US$ 10 bilhões em ações novas, vendidas a US$ 116 cada, 11% abaixo do fechamento de sexta, e US$ 10 bilhões em títulos de dívida com juros de 7% a 8,65% ao ano. A ação acumula 17,5% de queda em três sessões e 53,3% desde o pico, com US$ 125,3 bilhões em dívida em agosto.

O que separa a Oracle das outras é o custo do crédito. Proteger a dívida da companhia contra calote custa cerca de cinco vezes mais que proteger a da Microsoft, e os títulos com vencimento em 2066 pagam 8,4% ao ano, contra 6,1% de papéis equivalentes da Apple. A Marvell caiu 12,7% na mesma segunda-feira.

No cripto, a mesma separação em escala maior

O mercado de cripto tem a estrutura da bolsa americana, sem índice que disfarce a distância. Das 100 maiores moedas, 76 estão 20% ou mais abaixo da máxima histórica, 63 perderam metade do valor do topo e a mediana está 67,6% abaixo do pico.

O bitcoin, que faz o papel de índice do setor, caiu menos. No começo da manhã desta terça-feira, era negociado a US$ 77,3 mil, 38,6% abaixo do recorde de US$ 126,1 mil de outubro do ano passado. O ether valia US$ 2.279, com queda de 53,9% desde o topo. A fatia do bitcoin no valor total do setor subiu para 59,2%, e o setor inteiro vale US$ 2,62 trilhões.

É o mesmo desenho da bolsa, com números maiores. Lá, o índice se sustenta porque sete empresas respondem por 35% do seu valor. Aqui, o bitcoin segura o total porque responde por quase 60% dele. O resto do mercado cripto já opera em baixa desde o começo do ano, e a bolsa americana passou a repetir o desenho em outubro.

A eleição desta terça e a margem do Natal

Os americanos votam nesta terça-feira para renovar a Câmara e parte do Senado. Nas apostas da Polymarket, a chance de o Partido Democrata ficar com a Câmara é de 94,5%, a de ficar com o Senado é de 77,5%, e a de levar as duas casas aparece em 76,5%.

A agenda da semana ainda tem o relatório de empregos dos Estados Unidos, na sexta-feira. Na noite de segunda, a Micron, que fabrica memória, subiu mais de 1% depois do fechamento, enquanto a Apple caía.

O que a Apple entregou de verificável para o trimestre é uma faixa entre 45% e 46%, a menor desde o trimestre encerrado em setembro de 2023. No mesmo dia, o índice está a 3,5% do recorde, e um terço de suas ações já perdeu 20% do topo.

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